Reforma Íntima - Amor e Sexo


O Espiritismo, ao estabelecer as leis da reencarnação e da evolução, o conceito de espírito como ser completo (as sensações são do espírito: desencarnado ele vive uma vida total, a tal ponto que, às vezes, nem se dá conta de estar no novo estado), altera o sentido consagrado de muitas das noções relativas ao homem e ao existir.


As noções de amor e sexo não lhe fazem exceção. Para que possamos abordá-las, portanto, necessário se faz explicar, inicialmente, quais as alterações de conceituação que se devem considerar.


A — Co-criação


À concepção de Deus criador, o Espiritismo acrescenta a noção de ser co-criador, isto é: a de ser agente, realizador, que atua no meio circundante, sob a égide das leis naturais — expressões da vontade de Deus — para criar formas de duração temporária e desenvolver qualidades para si próprio, que lhe determinam o progresso evolutivo.O ser adquire pensamento contínuo e livre arbítrio ao passar do estágio animal para o estágio hominal. Pela lei da ação e reação se lhe desenvolvem o sentimento e a razão; começa a distinguir as leis da vida e, sua marcha ascensional.


B — Energia e forças criadoras


O sentimento resulta de uma lenta e progressiva metamorfose dos instintos e a razão se desenvolve para o homem qual faculdade para, com base em tal transformação, nortear-lhe a ação. O sentimento determina os motivos de interesse do espírito a se projetarem quais quadros em sua mente e a estabelecerem, em seu derredor, campo de influências.


Pelo pensamento, o espírito permuta energia mental com outras mentes, em regime de sintonia, dela liberando forças que governam a formação das outras formas de energia para ele disponíveis (na alimentação, na respiração, etc.), através dos centros de forças. Os sentimentos e desejos ditam o tipo de energia e de forças que a mente emite em forma de pensamentos e que estabelecem influência sobre o corpo do espírito em seu derredor.


Pois bem! A fim de precisar a linguagem entenderemos, por amor, a totalidade dos sentimentos e desejos que estruturam o pensamento para a liberação de energia e de forças que guiam a ação na produção do bem e possibilitam a aquisição de qualidades, constituintes do crescimento do espírito. À energia e às forças fundamentadas no amor, denominaremos, respectivamente, energia criadora e forças criadoras.


A energia criadora, pelo coronário e pelo centro cerebral, é distribuída aos diversos centros de força: o laríngeo, o cardíaco... (podendo aqui serem denominadas energia laríngea, energia cardíaca, etc...) para reger, em cada um, complexo de funções distintas. Com base nisso, denominaremos de funções sexuais aquelas funções do espírito que regulam a permuta de energia criadora entre seres, quando se associam, em regime de afinidade, para produções em comum, que compreendem, no plano físico, as permutas para a procriação.


À totalidade das funções sexuais, no seu todo psicofísico, denominaremos sexo; e àquela particular energia criadora, destinada a reger o sexo ou as funções sexuais, denominaremos energia sexual. Com isso situamos as noções de energia e força criadora, amor, sexo e energia sexual, em planos bem distintos, com significados bem diferentes dos consagrados entre nós, para conceituá-los (e nisso reside o mais importante do novo significado) como manifestações relacionadas à mais íntima essência do nosso ser: características do espírito, que o corpo apenas materializa.


O sexo, portanto, surge para nós como uma noção que designa um conjunto de características do espírito que podemos também classificar em ativas, constituindo a masculinidade; e passivas, compondo a feminilidade. No consenso comum, masculinidade e feminilidade se referem a distinções de caráter morfológico, restritas ao plano físico; no Espiritismo elas se modificam e seu significado imbui-se de um contexto que transcende estas formas.


O impulso sexual passa também a adquirir concepção que transcende o significado comum: passa a ser entendido como aquela resposta relativa aos estímulos que estabelece a transmudação de energia criadora entre seres. Com estas noções podemos desde já afirmar:
1—O ser evolui e adquire as qualidades que determinam seu crescimento, quando a energia absorvida é regulada, nas suas transformações, pelas manifestações do amor.
2— O ser cria para si processos obsessivos e de regeneração, quando tais transformações são fundamentais em manifestações outras que não as do amor.


É pela permuta de energia criadora que os seres se desenvolvem e adquirem as qualidades de que necessitam, permuta esta que surge quando os seres se associam nas manifestações de afinidades e que já se nota nas atrações magnéticas, nas combinações químicas, nas organizações minerais e vegetais, nos animais com função prevalentemente orgânica.


Na fase humana o ser passa a viver mais no plano astral e as trocas de energia passam a efetuar-se cada vez mais via mental, num processo de transformação que denominaremos, com André Luiz, mentossíntese. Tal qual a energia elétrica fluente num circuito, em função de uma diferença de tensão entre seus terminais, aquece o forno que irá transformar farinha em pão, assim a energia sexual, fundamentada no amor, atua no espírito, desenvolvendo-lhe qualidades, proporcionando-lhe o crescimento.


Por isso dizemos que o Amor é alimento do espírito; por isso dizemos que Deus é Amor — porque nele está a fonte de toda possibilidade benéfica. Nos homens primitivos — menos evoluídos — a energia sexual tem função prevalentemente orgânica e sua veiculação está mais vinculada ao concurso dos sentidos. Nos mais evoluídos ela passa a ter função cada vez mais dirigida ao desenvolvimento do espírito; sua veiculação tende a efetuar-se cada vez mais nos processos da mentossíntese, com concurso sempre decrescente dos sentidos.


A marcha evolutiva do homem é também marcha para a conquista da mentossíntese, em cujas expressões o amor forja a grandeza do espírito. Assim, o amor:
— pelo ensino cria a confiança;
— pelo perdão favorece a amizade;
— pela tolerância estabelece a gratidão;
— pela caridade desperta o otimismo;
— pela humildade infunde estima;
— pela boa palavra desenvolve a fé;
— pela bondade apaga a cólera;
— pela imparcialidade revigora o senso de justiça;
— pela defesa dos fracos restitui a força do direito;
— pelo culto da maternidade exalta a beleza;
— pelo servir fundamenta a cooperação.


Num momento de desespero ou de desilusão, abatimento ou tristeza, são as expressões de amor que reconfortam, pelo aconchego de um carinho de mãe, pela expressão de uma palavra amiga, pela manifestação da compreensão alheia. Nada melhor para o reerguimento e restauração de forças do que o gesto amigo, a prova de confiança, a boa palavra, a infusão de otimismo.


Só o amor constrói, é alimentação espiritual. Seus veículos são o carinho, a confiança, a dedicação, o entendimento, a cooperação. Toda causa de alegria, superação de provas, auto­confiança, reside no amor que, como fonte detonadora de energia benéfica, nos permite adentrar pelas rotas do desenvolvimento, capacitar-nos às aquisições perenes, rumo aos cimos da espiritualidade.Amar é engrandecer-se.


C — O crescimento espiritual


As permutas de energia criadora no animal têm função prevalentemente orgânica. O homem primitivo, ainda animalizado, permanece no mesmo nível: é a partir do sexo, limitado à procriação, que inicia o crescimento espiritual, rumo a estágios em que o concurso dos sentidos far-se-á cada vez menos presente.


Da mesma maneira que a criança necessita do concurso dos sentidos para aprender a contar, antes de podê-lo fazer mentalmente, assim o homem se utiliza do sexo (na acepção comum do termo) para iniciar-se na subtracão à animalidade. No sexo (entendido agora na forma mais ampla) é que reside essa força que possibilita a ascensão humana — aquela força que, pela experiência, nos faz adquirir, como qualidades ativas: a energia, a fortaleza, o poder, a inteligência, a iniciativa, a sabedoria, etc... e como qualidades passivas: a ternura, a humildade, a delicadeza, a intuição, a dedicação, a afetuosidade... em reencarnações sucessivas, nas quais, periodicamente, vive experiências masculinas ou femininas.


Concomitantemente com a experiência, o sofrimento, o aprendizado, se lhe sublimam os anseios, se lhe enaltecem os objetivos. No terreno das manifestações afetivas, o desejo se lhe transforma em posse; a posse em simpatia e, em escala progressiva: em carinho, devotamento, renúncia, em que, cada vez mais, se desenvolve sua capacidade de amar, independentemente dos sentidos, até o sacrifício, o clímax do dar e do receber.


E nessa crescente capacidade de dar e consequente possibilidade de mais receber, consolidam-se suas conquistas, enobrecem-se seus predicados: a partir da assim chamada satisfação fugaz de amor, a tribo converte-se em família, a taba em lar, a força em direito, a floresta em lavoura, a barbárie em civilização, o grito em cântico, a alavanca em usina atômica, o homem em Cristo.


D — A utilização da energia sexual


A energia criadora, permutada pelo sexo, gera cargas magnéticas, que invadem todos os campas sensíveis da alma. Sua descarga indiscriminada conduz à exaustão e ao sofrimento; tal qual se dá com as nuvens inanimadas que, após terem-se revestido de cargas opostas, incapazes que são de controlar as manifestações oriundas de suas aproximações, entregam-se à descarga violenta de suas energias acumuladas e, na explosão do raio que se forma, com o relampaguear que ilumina apenas por um instante, só deixam atrás de si rastros de tristeza e desolação.


A energia criadora é força que alimenta e constrói o cérebro, clareia a mente, favorece a vida psíquica. Por isso precisa ser gasta, parte para a continuação da vida, parte para o engrandecimento de nós mesmos. Não pode ser retida; não se pode acumulá-la. Seria o mesmo que reter vapor em uma panela de pressão sem válvula de escape: causam-se os mais vastos e frequentes distúrbios nervosos, que conduzem ao ciúme, ao despeito, à rebelião, à loucura. Não se pode despendê-la nos abusos da prática sexual, porque se enfraquece o cérebro, afeta-se a memória, retarda-se o raciocínio, destroem-se elementos preciosos da vida psíquica, responsáveis pela ligação da terra com o plano superior.


Deter-se nas malhas do instinto, com desprezo dos demais departamentos de realização espiritual, é rumar para situações enfermiças, de retardamento e imbecilidade, pelo esgotamento das forças sexuais que alimentam as células cerebrais. Há que conduzi-las para todas as necessidades, pelo abandono da ociosidade, pelo trabalho em benefício do meio que nos circunda, para o desenvolvimento da mente, do psiquismo e da realidade espiritual. O bom uso purifica as emoções e os pensamentos.Nesse condicionamento à prática do bem, ao dar para obter, condiciona-se sua liberdade. No preceito de não fazer aos outros o que não se quer que os outros nos façam, está a impossibilidade de entregar-se à liberdade incondicionada, à permissividade total, em complacência irrestrita, num regime de relações inconscientes, para as permutas de energia sexual. Surge porém a necessidade de dobrar-se aos imperativos da responsabilidade, às exigências da disciplina, aos ditames da renúncia: não por normas rigoristas de virtudes artificiais; mas pelo esclarecimento, pela educação, pela compreensão do estágio de cada um, pela dilatação do entendimento, pelas melhores energias do cérebro, e com os melhores sentimentos do coração; entendendo que a incapacidade de disciplina e renúncia exige orientação, socorro para a sustentação, atitudes de médico e orientador, no socorro às necessidades, onde quer que a incapacidade se manifeste.


Rino Curti



Reforma Íntima - Reencarnação, simbiose e obsessão




Aqui, caros confrades internautas, estudaremos sucintamente, os processos do desencarne e da reencarnação, apontando para as consequências que os nossos pensamentos acarretam.

Mostraremos ainda como, em função da sintonia mental, os espírtios se influenciam mutuamente para o bem ou para o mal, nas associações, na simbiose, no vampirismo e na obsessão.

Ressaltará das considerações levantadas, que ninguém está condenado para sempre; que em qualquer circunstância, o Evangelho servirá de instrumento da redenção e que somente por ele poder-se-á preservar a saúde psíquica, o equilíbrio e as possibilidades de superar os embates da jornada.

A — Desencarnação e reencarnação

A passagem do estágio animal para o estágio hominal caracteriza-se pelo pensamento que, ao expandir-se pela matéria mental, "estabelece, no mundo tribal, um oceano de energia sutil em que as consciências encarnadas e desencarnadas se refletem sem dificuldade, uma às outras".

O ser, ao iniciar-se na meditação, exterioriza as próprias idéias, capta as que lhe são afins e, no sono, tem o corpo espiritual a inaugurar o desprendimento do corpo físico. Com isso recebe dos espíritos instruções e orientações para o desenvolvimento de sua vida mental e para a iniciação na responsabilidade de conduzir-se por si mesmo.

As experiências que realiza no plano físico, condicionam-lhe aquelas que ele viverá no plano extrafísico. Ao desencarnar, passa-se com ele algo semelhante ao fenômeno da metamorfose. Da mesma maneira que a larva, após várias fases, se encerra no casulo, desfaz os próprios órgãos e reconstrói outros, aproveitando-se de materiais resultantes da decomposição, para a seguir ressurgir qual borboleta, o homem se imobiliza no cadáver, ensimesmado nos próprios pensamentos, examinando, em retrospecto, todos os acontecimentos da própria vida.

Nisso libera energias que, em decompondo sua organização física, propiciam-lhe matéria para a construção de novos órgãos, ressurgindo no plano espiritual com um peso específico resultado da natureza de pensamentos que cultivou. Fenômeno semelhante se realiza na reencarnação: a fixação do pensamento em voltar, imobiliza-o, atrofia-lhe os órgãos do corpo espiritual e o reduz a uma forma ovóide, e, ao calor do vaso genésico da mulher, recapitula todos os lances da evolução genética. Em ambos os planos, na recomposição do próprio veículo, a mente revisa rápida e automaticamente todas as experiências vividas, imprimindo magneticamente às células as diretrizes que resultam desta revisão e a que deverão obedecer dentro do novo ciclo de evolução a que estarão sujeitas. Essa é a essência da lei de causa e efeito, pela qual o homem encontra em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimentes das próprias ações.

No plano espiritual ele vai lidar mais diretamente com o próprio pensamento, fluido vivo e multiforme a nascer-lhe da própria alma, que atua na matéria lá existente em novos estados de condensação, originando formações com peso específico correspondente àquele corpo espiritual e que constituirão o próprio solo que o abrigará. Tais formações constituídas por este fluido em que se lhe imprimem os mais íntimos sentimentos e que lhe definem os mais íntimos desejos, convertem-se em substância gravitante ou libertadora, ácida ou balsâmica, doce ou amarga, alimentícia ou esgotante, vivificadora ou mortífera, segundo a força do sentimento que tipificou e configurou o pensamento.

Com isso o encarnado vai conhecer ò resultado de suas próprias criações a que se habituou na passagem pelo campo carnal, criações estas que poderão situá-lo em "povoações mais ou menos felizes, ou em aglomerações infernais de criaturas que, por temerem as formações dos próprios pensamentos, refugiam-se nas sombras, receando e detestando a presença da luz".

B — A simbiose espiritual

O ser, ao iniciar a fase humana, se necessita evoluir do ponto de vista moral e morfológico no plano físico, também no plano espiritual é obrigado a desenvolver recursos de adaptação e sustentação. Não o fará de pronto, entretanto. No desencarne, arrebatado para uma vida que não compreende, permanece fluidicamente algemado aos que mais ama, partilhando-lhes a experiência vulgar. Valendo-se da receptividade dos que lhe choram a ausência, infiltra-se-lhes na organização fisiopsicossomática, sugando-lhes a vitalidade, qual cogumelo a penetrar na alga, na associação simbiótica do líquen.

A mente encarnada, inconscientemente, submete-se ao domínio parcial do desencarnado, enquanto, em troca, passa a ter sua sensibilidade aumentada. Se pelo primeiro fato fica condicionada no desenvolvimento ao alcance do dominador, pelo segundo fica protegida contra forças ocultas piores.

Se o desencarnado possui inteligência mais vasta, termina por inspirar ao encarnado atividade progressiva, benéfica. Se inferior, subjuga-lhe o campo mental, permanecendo ambos estacionários no tempo.

É esta a razão pela qual, hoje, pessoas pouco aptas ao autocontrole, embora possam ser até inteligências brilhantes, subjugadas pelos espíritos desencarnados, cristalizados em concepções retrógradas, permanecem estacionadas e avessas ao progresso. Acolhendo-lhes os pensamentos, quais fossem os próprios, quedam-se infensas ao estudo que as libertaria, ou apáticas no esforço da própria iluminação, o que lhes proporcionaria renovação.

Mas como o progresso é compulsório, isso permanece até que, pelas dificuldades, pela dor, pelo trabalho, pelo estudo edificante, pelas virtudes vividas, se lhes realiza a transformação com que se adaptam a novos caminhos, aceitando encargos novos, rumo a novos estágios de consciência e de realização, rumo a esferas mais elevadas.

C — Vampirismo e obsessão

Casos há, entretanto, em que tais ligações não são afetivas. Há um desejo de fazer mal; de consumar uma vingança, como represália por prejuízos sofridos; de promover perseguições em razão de interesses insatisfeitos; pelos motivos mais variados, urdidos por nossas imperfeições. Nesses casos as atuações são prejudiciais, podendo provocar as mais variadas enfermidades psíquicas ao subjugado, inclusive a própria morte, em situações que se prolongam além dela.

São as ligações de obsessão e vampirismo. A obsessão pode nascer do assédio das vítimas do homicídio, da violência, da brutalidade, que ao invés de perdoarem, lançam-se a vinditas atrozes. Mas pode nascer da invigilância, facilitada pelas imperfeições morais de que somos portadores, em virtude de marcas profundas deixadas por falhas pregressas.

Uma idéia torturante, que teima por se fixar, interferindo no curso de nossos pensamentos; que por mais que a queiramos eliminar se insinua, se desenvolve, se instaura, sem razão aparente, causando-nos inquietação e desassossego, poderá ser o início de obsessão, provocada mesmo por quem não tem senão o desejo de fazer o mal.

Toda causa prejudicial ao corpo e à mente, pode constituir-se em uma porta que se lhe abre ao acesso: fumo, álcool, sexualidade desregrada, estupefacientes, jogatinas, e outros vícios da atualidade, pelos prejuízos que ocasionam ao corpo e à mente, constituem-se em verdadeiras brechas espirituais para a insinuação de mentes desencarnadas viciosas que, em se hospedando na intimidade das mentes encarnadas, podem abrir o caminho para dolorosas desarmonias ou gerar obsessões degradantes.

Analogamente "a glutoneria, a maledicência, a ira, o ciúme, a inveja, a soberba, a avareza, o medo, o egoísmo, são outras tantas vias de acesso às mentes desatreladas do carro somático, em tormentosa e vigilante busca na Erraticidade, sedentas de comensais, com os quais, em conexão segura, continuam o enganoso banquete do prazer fugido...".

D — Desobsessão

Libertar-se da obsessão não é processo simples, nem fácil de realizar, mesmo quando ela não tenha atingido as culminâncias desastrosas, ou apenas se mantenha em níveis de viciação de forças simplesmente. É comum verem-se pessoas adentrar casas de oração (deixando lá fora as companhias espirituais que, por sua inferioridade, não as podem acompanhar), serem beneficiadas, reconfortadas, reequilibradas, para depois, à saída, serem novamente abordadas por elas, sofrendo-lhes a mesma influência, de novo, por falta de maior determinação ou propósito firme em sustentar os pensamentos que as poderiam libertar.

Enquanto vítima e algoz se igualam nos sentimentos e nos pensamentos, permanecem ligados entre si em situações dolorosas, que só serão desfeitas com a reencarnação, em regime de reajuste, no qual os envolvidos encontram o caminho da redenção, ou por processos outros em que, pela transformação de suas próprias forças, poderão romper as algemas.

Diz André Luiz: "— Não bastará a palavra que ajude, a oração que ilumine. Será necessário que o hospedeiro dê testemunho com o próprio exemplo, nas práticas do amor, em benefício do semelhante. Passando a reformular os próprios pensamentos nas trilhas do bem comum, a corrigir sentimentos inferiores, desenvolven­do sabedoria e virtude, no serviço ao próximo, atua nas disposições dos que se lhe incrustam na intimidade, provocando-lhes intensas transformações no campo íntimo, modificando-lhes as disposições a seu favor... Pelo devotamento ao próximo e pela humildade realmente praticada e sentida, é possível valorizar nossa frase e santificar nossa prece, atraindo simpatias valiosas, com intervenções providenciais em nosso favor...

É que, vendo-nos transformados para o melhor, nossos adversários igualmente se desarmam para o mal, compreendendo por fim que só o bem será, perante Deus, o nosso caminho de liberdade e luz." Nos casos em que as obsessões se prolongam além da morte, de forma pertinaz, inflexível, inamolgável, os envolvidos permanecem ligados a ponto de sofrerem transformações morfológicas no corpo espiritual, cujos órgãos, por falta de uso, se atrofiam e assumem formas ovóides, permanecendo vinculados às próprias vítimas que, mecanicamente, a eles permanecem ligadas, por afinidades de ódio, de egoísmo ou de viciação.

Em tais casos — explica André Luiz — o Plano Superior, estudada a situação, promove a reencarnação de um deles, por mulher indicada, em virtude de seus débitos, à gravidez respectiva. A reencarnação se processa permanecendo a entidade ligada aos seus obsessores, padecendo suas influências negativas até que, frequentemente, possa favorecer a reencarnação deles como filhos, devolvendo-lhes em renúncia o bem que lhes deve. Em todos os casos, quer se trate de recuperar o equilíbrio psíquico, quer se trate de mantê-lo, é no Evangelho que encontramos o guia a reger nosso comportamento.


Rino Curti

Reforma Íntima - A Noção


Noção importante, dentro do Espiritismo, é a da REFORMA ÍNTIMA. Na sua essência, ela significa comportamento segundo a Doutrina, o que não quer dizer, evidentemente, um comportamento perfeitamente determinado por padrões típicos de atitudes, idênticos para todos.


O homem está sujeito à evolução e, por ela, apresenta graus de desenvolvimento distintos, de um para outro. A responsabilidade é relativa ao estágio evolutivo, e cada qual é exigido na medida de suas possibilidades. "Muito será pedido a quem muito foi dado";"Ninguém é posto a suportar mais do que suas forças o permitem".


Agora procuraremos esclarecer que a noção de reforma íntima é relativa ao grau evolutivo de cada um e que sua realização não galardo a ninguém fora do merecimento, não transforma quem quer que seja em sábio ou anjo, só por si mesma. Mas o reajusta dentro de suas possibilidades, reorganizando-lhe a caminhada para a ascensão.


A — A evolução do homem


O Espiritismo, como ciência dos fenômenos espíritas, revela a existência do mundo dos espíritos e seu relacionamento com o nosso, mostrando-nos definitivamente que espírito e matéria obedecem às leis naturais que podemos estudar de forma teórico-experimental.Dessa forma o Espiritismo constitui-se na ciência que estuda as leis que governam o espírito. Estabelece, como princípios fundamentais, as leis da evolução e da reencarnação, segundo os quais o homem passa a desenvolver-se alternadamente nos dois planos, subordinado às leis do aprendizado e da renovação.


A passagem do reino animal para o reino hominal caracteriza-se pela aquisição da palavra, do pensamento contínuo, da razão, do livre-arbítrio e pela iniciação da vida moral, que se constitui no afrouxamento do domínio dos instintos e no desabrochar dos sentimentos.


O homem, compelido a decidir por si mesmo, passa a ser o construtor do seu destino no âmbito de suas limitações, sem que lhe falte a orientação do Plano Superior. Pouco a pouco desenvolve faculdades, recursos mentais e físicos, passando pelas diversas fases do desenvolvimento por nós conhecidas, limitadamente à faixa que separa o selvagem primitivo, existente em nossos dias, e o homem civilizado.


A evolução feita a partir do início das reencarnações até o estágio atual do homem, tal qual somos, exigiu, segundo André Luiz um espaço de tempo de 250.000 anos. O término do ciclo das reencarnações, na fase humana, também segundo André Luiz, dar-se-á quando o homem tenha automatizado o comportamento evangélico. Após isso ingressará em outro plano, para nós atualmente desconhecido.


B -Estágios evolutivos


Fato consumado, portanto, é a constatação de que os diferentes níveis culturais qualificáveis entre o hotentote e o construtor de computadores, correspondem a diferentes níveis evolutivos; a diferentes estágios de progresso dos espíritos, advindos de períodos de experiência distintos, e a faculdades de expansão desigual. Esse crescimento está condicionado ao desenvolvimento de aptidões e virtudes, de realização lenta, gradativa, dependente do esforço que nela empreguemos, subordinada às leis do trabalho e do aprendizado.


Ninguém pode subtrair-se aos imperativos dessas leis, quer se situe no plano espiritual, quer esteja no plano material. Nem a morte soluciona problemas, nem mesmo nos altera a situação íntima. Permanecemos o que somos em qualquer circunstância e nada do que possamos alcançar sê-lo-á sem que se constitua em conquista pessoal. A própria revelação é gradativa, obedece aos ditames dessas leis e só se realiza uma vez, superadas as limitações que a impedem de se efetuar.


O progresso é compulsório. O espírito integrado na lei, comprometido nas realizações do bem, segue-lhe o curso normal, enfrenta-lhe as dificuldades naturais e fica submetido tão-somente aos percalços da caminhada. O espírito revoltado, envolvido nos processos comprometedores da ordem e da harmonia, tem sua ação cerceada compulsoriamente, estaciona, e só retoma a ascensão após ter esgotado as influências de desordem de que se fez responsável após ter-se reconciliado com a lei.


Nos procedimentos contrários ao bem comum, surge a reação contra a desordem provocada: o remorso, o arrependimento, as acusações dos que se sentiram prejudicados, atuam no sentido de isolar a mente conturbada, a fim de que não prossiga na sua ação perturbadora, à semelhança de um circuito elétrico que dispõe de dispositivos interruptores da ação destruidora de um curto circuito, automaticamente, quando ela acontece.


Nesse estado de conturbação, diz André Luiz, a mente "recorda apenas os acontecimentos que se refiram aos seus padecimentos morais, com absoluto olvido dos outros... num monoideísmo que a isola nas recordações ou emoções... E dessa forma, até que se esgotem os motivos que alimentam tais estados, vive o espírito torturado pelas imagens frutos de suas culpas".


São muitas as causas de desajuste que podem nos envolver sem que possamos identificar todas, sem que a elas saibamos sempre nos subtrair, por ignorância, por desinformação ou por erros de educação. Duas coisas há, portanto, a distinguir: nosso estágio evolutivo e nosso ajuste dentro dele.


Nosso estágio evolutivo nos situa, uns mais adiantados, outros mais atrasados, dentro de uma escala de avaliação compatível com aquela estabelecida por Kardec. A todos é reservado idêntico destino, que alcançaremos em função do esforço que empreguemos e segundo o merecimento que aufiramos. Temos o mesmo destino perante a eternidade, mas em termos atuais, somos diferentes, uns melhores, outros piores. Todos nos relacionamos, entretanto.


Dependemos uns dos outros e nosso evoluir processa-se em função do auxílio e do entrosamento mútuos, quais peças com determinada função, com tarefas a desenvolver, no meio que nos circunda. É por essas tarefas que progredimos. É do perfeito ajuste de cada um, na função que lhe é destinada, que dependem a felicidade e o sucesso, individuais ou coletivos.


Impõe-se não nos desajustemos no concerto das relações que nos unem uns aos outros. Somos diferentes; não temos o mesmo grau de evolução, não podemos dar todos na mesma medida, temos responsabilidades relacionadas a uma participação que não é a mesma; só podemos dar pelo que nossa capacidade permite, segundo nossas forças. Porém, o que se exige, é que, como elementos necessários e indispensáveis de um todo, saibamos desempenhar o nosso papel. A cada um é exigido segundo suas possibilidades.— Muito será pedido a quem muito foi dado.


O que se requer é que ninguém se torne causador de desarmonia: no plano material — fugindo aos compromissos; no plano moral — comprometendo a paz, por julgar, por nos tornarmos objeto de escândalo, por sermos maledicentes, buscando relevar mazelas e defeitos de nossos semelhantes, etc... O que se exige é que colaboremos com nosso semelhante, praticando o amor, a caridade, a fraternidade.


Dentro da sociedade, todos somos parcela útil, indispensável, imprescindível, que não pode perder-se, que não pode ser posta à margem como indesejável, prejudicial, como elemento nocivo. Por isso é mister aceitar as situações e as responsabilidades sem revolta: saber tomar-nos de autoridade para com quem nos segue, porque orientar é caridade; saber tomar-nos de respeito e acatamento para quem nos precede, porque aprender é uma necessidade, progredir é uma imposição da vida. Saber distinguir o lugar que nos compete e equilibrarmo-nos nele, embora todos, menores e maiores, tenhamos diante de nós o infinito.


Tal qual precisam ser as peças de um automóvel. É necessária a existência do motor, tanto quanto a do parafuso. Este necessita exercer uma força de coesão, de ligação, de segurança; o que se lhe pede é perfeição, mas a perfeição que lhe cabe como parafuso. Aquele tem a função de impulsionar, propulsar. Também se lhe pede perfeição, mas a perfeição que lhe diz respeito como motor — uma perfeição muito maior, como peça de maior importância, embora o conjunto não possa dispensar nenhum dos dois.


— Somos lavrador: sejamos lavrador perfeito;
— Somos administrador: sejamos administrador perfeito;
— Somos filho: sejamos filho perfeito;
— Somos pai: sejamos pai perfeito.
— Como homem, amemos nosso semelhante, a criação, Deus.


E para que assim possamos nos tornar, temos que combater em nós:


— o egoísmo, para não sofrermos as consequências do isolamento;
— o vício, para não cairmos no desequilíbrio;
— a agressividade, para não sermos vítimas da violência;
— o ciúme, para não sermos presa do desespero;
— a indisciplina, para não sermos atingidos pela desordem;
— a preguiça, para não provocarmos o aguilhoar das dores que nos obriguem ao progresso:
— a inveja, para não sentirmos as consequências do despeito;
— a leviandade, para não mergulharmos na insensatez;
— a indiferença, para não nos tornarmos presa do desânimo.


E, ao mesmo tempo, cultivar:



— a colaboração;
— a verdade, para não nos envolvermos nas malhas do desengano;
— a caridade;
— o amor ao próximo;
— o sentimento de fraternidade.


Naquilo que se exige de nós, exortava Jesus: — Sede perfeitos como vosso Pai é perfeito. Para não sofrermos é necessário eliminar os desajustes relativos à nossa situação. Não podemos alojar a mentira, a desonestidade, a prevaricação, a sensualidade, a gula, enfim todos os deslizes que provocam nosso estacionar.


É a eliminação desses desajustes, de que possamos ser portadores, que denominamos de reforma íntima. A reforma íntima, de que as Escolas da F.E.E.S.P. se tornam promotoras, é esta de nos propiciar o conhecimento doutrinário, corrigindo nossas falsas noções, preconceitos, falhas de educação, arranhões de caráter, hábitos indesejáveis, a fim de que, com ele harmonizados, possamos nos constituir nesse homem íntegro, equilibrado, exemplo e força de uma sociedade bem constituída, fator de ordem, progresso e harmonia.O que as Escolas se propõem é isto. Esforçar-se-ão para que, dentro dos preceitos doutrinários, aprendamos a conhecer, descobrir a nós mesmos e indicar-nos os caminhos do reajuste. Não irão transformar-nos de homem comum em sábio, nos domínios da ciência e da filosofia; nem em anjo, em um virtuoso excelso, segundo os preceitos da moral e da religião. Estas são conquistas que não podemos fazer a não ser à custa de intuito, trabalho e esforço e ao longo de ainda muitas reencarnações, com a aplicação incansável do estudar e servir.


Ela porém nos auxiliará a reencontrar a nossa posição de homens equilibrados, ajustados, capazes de reencetar a própria caminhada evolutiva com consciência, firmeza e confiança, certos de que quem nos criou está também a nos guiar.


Rino Curti

Reforma Íntima - Introdução


Vou colocar aqui, um estudo sobre Reforma Íntima, espero que gostem. Retirado do site www.estudoespirita.com



Estas palavras nos foram ditas pelo emérito Codificador do Espiritismo, no final de O Livro dos Espíritos, editado no ano de 1857. Como nós, espíritas, seguimos hoje os rumos dessa verdade enunciada pelo respeitável mestre lionês? Continua sendo difícil encarar, com vontade de mudar, a realidade intima, própria de cada um, e exercer o esforço de conseguir o progresso moral.Na pergunta 661 desse mesmo livro, relativamente ao perdão de Deus para as nossas faltas, respondem os espíritos: "a prece não oculta as faltas" e "o perdão só é obtido mudando de conduta". Isso é conclusivo, e não requer uma formação escolar muito ampla para realizar-se a transformação interior preconizada. O meio de se fazer essa Reforma já nos foi ensinado há dois mil anos pelo meigo Rabi da Galiléia. Ele mesmo disse: "Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida, ninguém vai ao Pai senão por Mim".Pergunta 661: Pode-se, eficazmente, pedir a Deus perdão para nossas faltas? Deus sabe discernir o bem e o mal: a prece não oculta as faltas. Aquele que pede a Deus o perdão de suas faltas não o obtém senão mudando de conduta. As boas ações são a melhor prece, porque os atos valem mais do que as palavras.Ainda é através da passagem pela "porta estreita" e pelo esforço perseverante, pelos testemunhos, que conquistamos os valores do espirito. Abraçar a dificuldade, aceitando-a e utilizando-a como forma de alcançar o progresso moral, essa é a posição a ser tomada.Temos perdido muito tempo em discussões, dissensões e críticas, mesmo no meio espírita, e o objetivo central, que efetivamente impulsiona o homem a melhorar, esse tem sido de certo modo olvidado, com alegações de que não podemos afugentar os poucos adeptos, ou que a evolução não dá saltos.Das palavras do texto escrito por Kardec, entendemos que já entramos na "fase nova da humanidade" ou, quando não, estamos no seu limiar. E o que tem o Espiritismo realizado, depois de cento e vinte anos, em termos de progresso moral da humanidade? Perdoem-me os confrades e os amigos internautas, mas quando penso nisso, vendo o que temos às mãos, oferecido por esta Doutrina, e o que já poderíamos ter avançado, fico angustiado. Somos responsáveis pelo bem que deixamos de fazer e por todo o mal decorrente desse bem não praticado (O Livro dos Espíritos, pergunta 642).É ainda muito pouco, na dimensão da humanidade planetária, o que a Doutrina dos Espíritos tem realizado. Poder-se-ia ter realizado bem mais, e se isso não foi feito ainda em proporções razoáveis, como articular todos os nossos recursos e potencialidades para a execução desse gigantesco trabalho? Não podemos encontrar as respostas em poucas palavras, mas a centralização de esforços nesse objetivo poderia unir a família espírita dos quatro cantos da Terra no estudo direcionado, o aprimoramento dos profitentes, de modo prático e eficaz, sem muita perda de tempo, integrando todos no trabalho de exemplificação pelas obras e, ao mesmo tempo, na divulgação do consolo que a Doutrina dá aos apelos dos que sofrem. Temos constatado, na execução do programa das Escolas de Aprendizes do Evangelho (o que lhe autentica os propósitos), a comprovação da assistência espiritual superior, auxiliando os que buscam triunfar sobre as suas paixões e o incentivo aos caminhos da abnegação, como meio eficaz para combater os vícios e os predomínios da natureza corpórea. Essas escolas, criadas pelo Sr. Edgard Armond em 1940 e iniciadas na Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1950, conduzem de forma disciplinar, num programa de quase três anos, o objetivo precípuo da autotransformação, baseada no conhecimento evangélico à luz do Espiritismo e nas oportunidades de servir. É o que temos visto, até hoje, nesses nossos trinta anos de Doutrina Espírita, como trabalho de resultados mais efetivos, exatamente dentro desse sentido prioritário concluído por Kardec, ou seja, o de levar a criatura a realizar o seu progresso moral. Trazemos nossa despretensiosa colaboração aos Aprendizes do Evangelho e a todos os que buscam realizar a sua transformação interior, aqui reunindo informações e dispondo de elementos que melhor nos conduzam nos ideais colunados, de forma prática e numa linguagem simples.


Ney Prieto Peres

Reencarnação: Histórias de Vidas Passadas

Como eu já escrevi sobre o tema páscoa, hoje colocarei um vídeo mto bom que passou na Discovery Channel.... espero que gostem.
Tenham uma linda páscoa. Fiquem todos na santa paz de Deus.


Mau humor


Se o mau humor te envolve à maneira de sombra sufocante, procura examinar-lhe as origens, a fim de que possas liquidá-lo, tão rapidamente quanto possível.
Caso alguma dívida te preocupe, não será com aspereza que conseguirás os recursos preciosos, de modo a resgatá-la.
Doença quando aparece, solicita remédio e não intolerância para curar-se.
Necessitando da cooperação de alguém para determinado empreendimento, a carranca não te angariará simpatia.
Contratempos em família não se desfazem com frases vinagrosas.
Se pretendes adquirir companheiros e colaboradores, a irritação é um antigo processo de perder amizades.
Lembra-te de que ninguém consegue algo realizar sem os outros e de que os outros não são culpados por nossas indisposições e insucessos.
Ninguém sabe até hoje onde termina o mau humor e começa a enfermidade.
Não se sabe de ninguém até agora que o azedume tenha auxiliado
Se você deseja livrar-se dessa máscara destruidora, cultiva a paciência e aprende a sorrir.



EMMANUEL(Do livro "Calma", FCXavier, GEEM)


Visão Espírita da Páscoa


Eis-nos, uma vez mais, às vésperas de mais uma Páscoa. Nosso pensamento e nossa emoção, ambos cristãos, manifestam nossa sensibilidade psíquica. Deixando de lado o apelo comercial da data, e o caráter de festividade familiar, a exemplo do Natal, nossa atenção e consciência espíritas requerem uma explicação plausível do significado da data e de sua representação perante o contexto filosófico-científico-moral da Doutrina Espírita.
Deve-se comemorar a Páscoa? Que tipo de celebração, evento ou homenagem é permitida nas instituições espíritas? Como o Espiritismo visualiza o acontecimento da paixão, crucificação, morte e ressurreição de Jesus? Em linhas gerais, as instituições espíritas não celebram a Páscoa, nem programam situações específicas para “marcar” a data, como fazem as demais religiões ou filosofias “cristãs”. Todavia, o sentimento de religiosidade que é particular de cada ser-Espírito, é, pela Doutrina Espírita, respeitado, de modo que qualquer manifestação pessoal ou, mesmo, coletiva, acerca da Páscoa não é proibida, nem desaconselhada.
O certo é que a figura de Jesus assume posição privilegiada no contexto espírita, dizendo-se, inclusive, que a moral de Jesus serve de base para a moral do Espiritismo. Assim, como as pessoas, via de regra, são lembradas, em nossa cultura, pelo que fizeram e reverenciadas nas datas principais de sua existência corpórea (nascimento e morte), é absolutamente comum e verdadeiro lembrarmo-nos das pessoas que nos são caras ou importantes nestas datas. Não há, francamente, nenhum mal nisso. Mas, como o Espiritismo não tem dogmas, sacramentos, rituais ou liturgias, a forma de encarar a Páscoa (ou a Natividade) de Jesus, assume uma conotação bastante peculiar. Antes de mencionarmos a significação espírita da Páscoa, faz-se necessário buscar, no tempo, na História da Humanidade, as referências ao acontecimento.
A Páscoa, primeiramente, não é, de maneira inicial, relacionada ao martírio e sacrifício de Jesus. Veja-se, por exemplo, no Evangelho de Lucas (cap. 22, versículos 15 e 16), a menção, do próprio Cristo, ao evento: “Tenho desejado ansiosamente comer convosco esta Páscoa, antes da minha paixão. Porque vos declaro que não tornarei a comer, até que ela se cumpra no Reino de Deus.” Evidente, aí, a referência de que a Páscoa já era uma “comemoração”, na época de Jesus, uma festa cultural e, portanto, o que fez a Igreja foi “aproveitar-se” do sentido da festa, para adaptá-la, dando-lhe um novo significado, associando-o à “imolação” de Jesus, no pós-julgamento, na execução da sentença de Pilatos.
Historicamente, a Páscoa é a junção de duas festividades muito antigas, comuns entre os povos primitivos, e alimentada pelos judeus, à época de Jesus. Fala-se do “pesah”, uma dança cultural, representando a vida dos povos nômades, numa fase em que a vinculação à terra (com a noção de propriedade) ainda não era flagrante. Também estava associada à “festa dos ázimos”, uma homenagem que os agricultores sedentários faziam às divindades, em razão do início da época da colheita do trigo, agradecendo aos Céus, pela fartura da produção agrícola, da qual saciavam a fome de suas famílias, e propiciavam as trocas nos mercados da época. Ambas eram comemoradas no mês de abril (nisan) e, a partir do evento bíblico denominado “êxodo” (fuga do povo hebreu do Egito), em torno de 1441 a.C., passaram a ser reverenciadas juntas. É esta a Páscoa que o Cristo desejou comemorar junto dos seus mais caros, por ocasião da última ceia. Logo após a celebração, foram todos para o Getsêmani, onde os discípulos invigilantes adormeceram, tendo sido aí o palco do beijo da traição e da prisão do Nazareno.
Mas há outros elementos “evangélicos” que marcam a Páscoa. Isto porque as vinculações religiosas apontam para a quinta e a sexta-feira santas, o sábado de aleluia e o domingo de páscoa. Os primeiros relacionam-se ao “martírio”, ao sofrimento de Jesus – tão bem retratado no filme hollywoodiano “A Paixão de Cristo”, segundo Mel Gibson –, e os últimos, à ressurreição e a ascensão de Jesus.
No que concerne à ressurreição, podemos dizer que a interpretação tradicional aponta para a possibilidade da mantença da estrutura corporal do Cristo, no post-mortem, situação totalmente rechaçada pela ciência, em virtude do apodrecimento e deterioração do envoltório físico. As Igrejas cristãs insistem na hipótese do Cristo ter “subido aos Céus” em corpo e alma, e fará o mesmo em relação a todos os “eleitos” no chamado “juízo final”. Isto é, pessoas que morreram, pelos séculos afora, cujos corpos já foram decompostos e reaproveitados pela terra, ressurgirão, perfeitos, reconstituindo as estruturas orgânicas, do dia do julgamento, onde o Cristo separará justos e ímpios.
A lógica e o bom-senso espíritas abominam tal teoria, pela impossibilidade física e pela injustiça moral. Afinal, com a lei dos renascimentos, estabelece-se um critério mais justo para aferir a “competência” ou a “qualificação” de todos os Espíritos. Com “tantas oportunidades quanto sejam necessárias”, no “nascer de novo”, é possível a todos progredirem.
Mas, como explicar então as “aparições” de Jesus, nos quarenta dias póstumos, mencionadas pelos religiosos na alusão à Páscoa? A fenomenologia espírita (mediúnica) aponta para as manifestações psíquicas descritas como mediunidades. Em algumas ocasiões, como a conversa com Maria de Magdala, que havia ido até o sepulcro para depositar algumas flores e orar, perguntando a Jesus – como se fosse o jardineiro – após ver a lápide removida, “para onde levaram o corpo do Raboni”, podemos estar diante da “materialização”, isto é, a utilização de fluido ectoplásmico – de seres encarnados – para possibilitar que o Espírito seja visto (por todos). Igual circunstância se dá, também, no colóquio de Tomé com os demais discípulos, que já haviam “visto” Jesus, de que ele só acreditaria, se “colocasse as mãos nas chagas do Cristo”. E isto, em verdade, pelos relatos bíblicos, acontece. Noutras situações, estamos diante de uma outra manifestação psíquica conhecida, a mediunidade de vidência, quando, pelo uso de faculdades mediúnicas, alguém pode ver os Espíritos.
A Páscoa, em verdade, pela interpretação das religiões e seitas tradicionais, acha-se envolta num preocupante e negativo contexto de culpa. Afinal, acredita-se que Jesus teria padecido em razão dos “nossos” pecados, numa alusão descabida de que todo o sofrimento de Jesus teria sido realizado para “nos salvar”, dos nossos próprios erros, ou dos erros cometidos por nossos ancestrais, em especial, os “bíblicos” Adão e Eva, no Paraíso. A presença do “cordeiro imolado”, que cumpre as profecias do Antigo Testamento, quanto à perseguição e violência contra o “filho de Deus”, está flagrantemente aposta em todas as igrejas, nos crucifixos e nos quadros que relatam – em cores vivas – as fases da via sacra.
Esta tradição judaico-cristã da “culpa” é a grande diferença entre a Páscoa tradicional e a Páscoa espírita, se é que esta última existe. Em verdade, nós espíritas devemos reconhecer a data da Páscoa como a grande – e última – lição de Jesus, que vence as iniqüidades, que retorna triunfante, que prossegue sua cátedra pedagógica, para asseverar que “permaneceria eternamente conosco”, na direção bussolar de nossos passos, doravante.
Nestes dias de festas materiais e/ou lembranças do sofrimento do Rabi, possamos nós encarar a Páscoa como o momento de transformação, a vera evocação de liberdade, pois, uma vez despojado do envoltório corporal, pôde Jesus retornar ao Plano Espiritual para, de lá, continuar “coordenando” o processo depurativo de nosso orbe.
Longe da remissão da celebração de uma festa pastoral ou agrícola, ou da libertação de um povo oprimido, ou da ressurreição de Jesus, possa ela ser encarada por nós, espíritas, como a vitória real da vida sobre a morte, pela certeza da imortalidade e da reencarnação, porque a vida, em essência, só pode ser conceituada como o amor, calcado nos grandes exemplos da própria existência de Jesus, de amor ao próximo e de valorização da própria vida.
Nesta Páscoa, assim, quando estiveres junto aos teus mais caros, lembra-te de reverenciar os belos exemplos de Jesus, que O imortalizam e que nos guiam para, um dia, também estarmos na condição experimentada por Ele, qual seja a de “sermos deuses”, “fazendo brilhar a nossa luz”. Comemore, então, meu amigo, uma “outra” Páscoa. A sua Páscoa, a da sua transformação, rumo a uma vida plena.


Por Marcelo Henrique
Texto presente nos sites Terra Esiritual e FEAL

e no blog Espírita na net

Todo mundo erra


Você, certamente, já ouviu ou falou a frase: "Todo mundo erra!".

Essa afirmativa está correta, porque a terra é um planeta de provas e expiações, o que quer dizer que neste mundo não há ninguém perfeito.

A perfeição é uma meta que todos nós alcançaremos um dia, mas não pode ser encontrada no atual estágio evolutivo da humanidade terrestre.

Não é outra a razão porque todos ainda cometemos erros, embora muitas vezes tentando acertar.

Tudo isso é fácil de entender, dirão alguns. E mais fácil ainda é tentar justificar as próprias faltas com a desculpa da imperfeição.

Admitir, portanto, que cometemos falhas mais vezes do que gostaríamos, não é difícil. Também não é difícil tolerar os escorregões dos nossos afetos.

No entanto, se você admite que "todo mundo erra", porque é tão difícil relevar as imperfeições alheias?

Porque é tão fácil justificar os próprios erros e tão difícil aceitá-los nos outros?

Se quebramos um copo, por exemplo, logo nos desculpamos dizendo que foi sem querer, e pode ter sido mesmo. Mas, se é outra pessoa que o faz, já achamos uma maneira de criticar, dizendo que é descuidada ou não prestou a devida atenção no que estava fazendo.

Se a esposa não conseguiu servir o almoço na hora que deveria, é porque ficou de conversa fiada com alguma amiga. Mas quando você não dá conta de entregar um serviço no prazo, é porque é um homem muito atarefado.

Quando o marido chega em casa nervoso e irritado, é porque está sobrecarregado de problemas, mas não desculpa se a esposa está impaciente por ter passado o dia todo ouvindo choro de criança e atendendo as tarefas da casa.

Se você é a esposa e tem seus motivos para justificar a falta de atenção com os filhos, em determinado momento, pense que seu esposo também tem suas razões para justificar uma falta qualquer.

Se você é filho e acha que está certo agindo desta ou daquela maneira, entenda seus pais, pois eles também encontrarão motivos para justificar seus deslizes.

O que geralmente ocorre, é que não paramos para ouvir as pessoas que transitam em nossa estrada. O que é mais comum, é criticar sem saber dos motivos que as levaram a se equivocar.

Se temos sempre uma desculpa para nossas faltas, devemos convir que os outros também as têm.

Se assim é, por que tanta inquietação com as ações que julgamos erradas nos outros?

Não temos a intenção de fazer apologia ou defender o desculpismo, mas, simplesmente, chamar a atenção para o fato de que todos estamos sujeitos a dar um passo em falso. E por isso devemos, no mínimo, entender quando isso acontece.

Se todo mundo erra, temos mais motivos para a tolerância e o perdão.

E se ninguém é perfeito, mais razão para entender as imperfeições alheias.

Ou será que só nós temos o direito a tropeçar?

A terra é uma escola de aperfeiçoamento da humanidade.

As pessoas que aqui estagiam, estão se preparando para conquistar mundos mais adiantados, universidades mais avançadas.

Por essa razão, vale a pena prestar atenção no seu aproveitamento pessoal, e deixar aos outros o dever de cuidar dos próprios atos.

Pois a cada vez que deixamos o corpo físico, pela desencarnação, uma nova avaliação é feita, e todos, sem exceção, receberemos conforme nossas obras.

Pense nisso!