Reforma Íntima - Reencarnação, simbiose e obsessão




Aqui, caros confrades internautas, estudaremos sucintamente, os processos do desencarne e da reencarnação, apontando para as consequências que os nossos pensamentos acarretam.

Mostraremos ainda como, em função da sintonia mental, os espírtios se influenciam mutuamente para o bem ou para o mal, nas associações, na simbiose, no vampirismo e na obsessão.

Ressaltará das considerações levantadas, que ninguém está condenado para sempre; que em qualquer circunstância, o Evangelho servirá de instrumento da redenção e que somente por ele poder-se-á preservar a saúde psíquica, o equilíbrio e as possibilidades de superar os embates da jornada.

A — Desencarnação e reencarnação

A passagem do estágio animal para o estágio hominal caracteriza-se pelo pensamento que, ao expandir-se pela matéria mental, "estabelece, no mundo tribal, um oceano de energia sutil em que as consciências encarnadas e desencarnadas se refletem sem dificuldade, uma às outras".

O ser, ao iniciar-se na meditação, exterioriza as próprias idéias, capta as que lhe são afins e, no sono, tem o corpo espiritual a inaugurar o desprendimento do corpo físico. Com isso recebe dos espíritos instruções e orientações para o desenvolvimento de sua vida mental e para a iniciação na responsabilidade de conduzir-se por si mesmo.

As experiências que realiza no plano físico, condicionam-lhe aquelas que ele viverá no plano extrafísico. Ao desencarnar, passa-se com ele algo semelhante ao fenômeno da metamorfose. Da mesma maneira que a larva, após várias fases, se encerra no casulo, desfaz os próprios órgãos e reconstrói outros, aproveitando-se de materiais resultantes da decomposição, para a seguir ressurgir qual borboleta, o homem se imobiliza no cadáver, ensimesmado nos próprios pensamentos, examinando, em retrospecto, todos os acontecimentos da própria vida.

Nisso libera energias que, em decompondo sua organização física, propiciam-lhe matéria para a construção de novos órgãos, ressurgindo no plano espiritual com um peso específico resultado da natureza de pensamentos que cultivou. Fenômeno semelhante se realiza na reencarnação: a fixação do pensamento em voltar, imobiliza-o, atrofia-lhe os órgãos do corpo espiritual e o reduz a uma forma ovóide, e, ao calor do vaso genésico da mulher, recapitula todos os lances da evolução genética. Em ambos os planos, na recomposição do próprio veículo, a mente revisa rápida e automaticamente todas as experiências vividas, imprimindo magneticamente às células as diretrizes que resultam desta revisão e a que deverão obedecer dentro do novo ciclo de evolução a que estarão sujeitas. Essa é a essência da lei de causa e efeito, pela qual o homem encontra em si mesmo os resultados enobrecedores ou deprimentes das próprias ações.

No plano espiritual ele vai lidar mais diretamente com o próprio pensamento, fluido vivo e multiforme a nascer-lhe da própria alma, que atua na matéria lá existente em novos estados de condensação, originando formações com peso específico correspondente àquele corpo espiritual e que constituirão o próprio solo que o abrigará. Tais formações constituídas por este fluido em que se lhe imprimem os mais íntimos sentimentos e que lhe definem os mais íntimos desejos, convertem-se em substância gravitante ou libertadora, ácida ou balsâmica, doce ou amarga, alimentícia ou esgotante, vivificadora ou mortífera, segundo a força do sentimento que tipificou e configurou o pensamento.

Com isso o encarnado vai conhecer ò resultado de suas próprias criações a que se habituou na passagem pelo campo carnal, criações estas que poderão situá-lo em "povoações mais ou menos felizes, ou em aglomerações infernais de criaturas que, por temerem as formações dos próprios pensamentos, refugiam-se nas sombras, receando e detestando a presença da luz".

B — A simbiose espiritual

O ser, ao iniciar a fase humana, se necessita evoluir do ponto de vista moral e morfológico no plano físico, também no plano espiritual é obrigado a desenvolver recursos de adaptação e sustentação. Não o fará de pronto, entretanto. No desencarne, arrebatado para uma vida que não compreende, permanece fluidicamente algemado aos que mais ama, partilhando-lhes a experiência vulgar. Valendo-se da receptividade dos que lhe choram a ausência, infiltra-se-lhes na organização fisiopsicossomática, sugando-lhes a vitalidade, qual cogumelo a penetrar na alga, na associação simbiótica do líquen.

A mente encarnada, inconscientemente, submete-se ao domínio parcial do desencarnado, enquanto, em troca, passa a ter sua sensibilidade aumentada. Se pelo primeiro fato fica condicionada no desenvolvimento ao alcance do dominador, pelo segundo fica protegida contra forças ocultas piores.

Se o desencarnado possui inteligência mais vasta, termina por inspirar ao encarnado atividade progressiva, benéfica. Se inferior, subjuga-lhe o campo mental, permanecendo ambos estacionários no tempo.

É esta a razão pela qual, hoje, pessoas pouco aptas ao autocontrole, embora possam ser até inteligências brilhantes, subjugadas pelos espíritos desencarnados, cristalizados em concepções retrógradas, permanecem estacionadas e avessas ao progresso. Acolhendo-lhes os pensamentos, quais fossem os próprios, quedam-se infensas ao estudo que as libertaria, ou apáticas no esforço da própria iluminação, o que lhes proporcionaria renovação.

Mas como o progresso é compulsório, isso permanece até que, pelas dificuldades, pela dor, pelo trabalho, pelo estudo edificante, pelas virtudes vividas, se lhes realiza a transformação com que se adaptam a novos caminhos, aceitando encargos novos, rumo a novos estágios de consciência e de realização, rumo a esferas mais elevadas.

C — Vampirismo e obsessão

Casos há, entretanto, em que tais ligações não são afetivas. Há um desejo de fazer mal; de consumar uma vingança, como represália por prejuízos sofridos; de promover perseguições em razão de interesses insatisfeitos; pelos motivos mais variados, urdidos por nossas imperfeições. Nesses casos as atuações são prejudiciais, podendo provocar as mais variadas enfermidades psíquicas ao subjugado, inclusive a própria morte, em situações que se prolongam além dela.

São as ligações de obsessão e vampirismo. A obsessão pode nascer do assédio das vítimas do homicídio, da violência, da brutalidade, que ao invés de perdoarem, lançam-se a vinditas atrozes. Mas pode nascer da invigilância, facilitada pelas imperfeições morais de que somos portadores, em virtude de marcas profundas deixadas por falhas pregressas.

Uma idéia torturante, que teima por se fixar, interferindo no curso de nossos pensamentos; que por mais que a queiramos eliminar se insinua, se desenvolve, se instaura, sem razão aparente, causando-nos inquietação e desassossego, poderá ser o início de obsessão, provocada mesmo por quem não tem senão o desejo de fazer o mal.

Toda causa prejudicial ao corpo e à mente, pode constituir-se em uma porta que se lhe abre ao acesso: fumo, álcool, sexualidade desregrada, estupefacientes, jogatinas, e outros vícios da atualidade, pelos prejuízos que ocasionam ao corpo e à mente, constituem-se em verdadeiras brechas espirituais para a insinuação de mentes desencarnadas viciosas que, em se hospedando na intimidade das mentes encarnadas, podem abrir o caminho para dolorosas desarmonias ou gerar obsessões degradantes.

Analogamente "a glutoneria, a maledicência, a ira, o ciúme, a inveja, a soberba, a avareza, o medo, o egoísmo, são outras tantas vias de acesso às mentes desatreladas do carro somático, em tormentosa e vigilante busca na Erraticidade, sedentas de comensais, com os quais, em conexão segura, continuam o enganoso banquete do prazer fugido...".

D — Desobsessão

Libertar-se da obsessão não é processo simples, nem fácil de realizar, mesmo quando ela não tenha atingido as culminâncias desastrosas, ou apenas se mantenha em níveis de viciação de forças simplesmente. É comum verem-se pessoas adentrar casas de oração (deixando lá fora as companhias espirituais que, por sua inferioridade, não as podem acompanhar), serem beneficiadas, reconfortadas, reequilibradas, para depois, à saída, serem novamente abordadas por elas, sofrendo-lhes a mesma influência, de novo, por falta de maior determinação ou propósito firme em sustentar os pensamentos que as poderiam libertar.

Enquanto vítima e algoz se igualam nos sentimentos e nos pensamentos, permanecem ligados entre si em situações dolorosas, que só serão desfeitas com a reencarnação, em regime de reajuste, no qual os envolvidos encontram o caminho da redenção, ou por processos outros em que, pela transformação de suas próprias forças, poderão romper as algemas.

Diz André Luiz: "— Não bastará a palavra que ajude, a oração que ilumine. Será necessário que o hospedeiro dê testemunho com o próprio exemplo, nas práticas do amor, em benefício do semelhante. Passando a reformular os próprios pensamentos nas trilhas do bem comum, a corrigir sentimentos inferiores, desenvolven­do sabedoria e virtude, no serviço ao próximo, atua nas disposições dos que se lhe incrustam na intimidade, provocando-lhes intensas transformações no campo íntimo, modificando-lhes as disposições a seu favor... Pelo devotamento ao próximo e pela humildade realmente praticada e sentida, é possível valorizar nossa frase e santificar nossa prece, atraindo simpatias valiosas, com intervenções providenciais em nosso favor...

É que, vendo-nos transformados para o melhor, nossos adversários igualmente se desarmam para o mal, compreendendo por fim que só o bem será, perante Deus, o nosso caminho de liberdade e luz." Nos casos em que as obsessões se prolongam além da morte, de forma pertinaz, inflexível, inamolgável, os envolvidos permanecem ligados a ponto de sofrerem transformações morfológicas no corpo espiritual, cujos órgãos, por falta de uso, se atrofiam e assumem formas ovóides, permanecendo vinculados às próprias vítimas que, mecanicamente, a eles permanecem ligadas, por afinidades de ódio, de egoísmo ou de viciação.

Em tais casos — explica André Luiz — o Plano Superior, estudada a situação, promove a reencarnação de um deles, por mulher indicada, em virtude de seus débitos, à gravidez respectiva. A reencarnação se processa permanecendo a entidade ligada aos seus obsessores, padecendo suas influências negativas até que, frequentemente, possa favorecer a reencarnação deles como filhos, devolvendo-lhes em renúncia o bem que lhes deve. Em todos os casos, quer se trate de recuperar o equilíbrio psíquico, quer se trate de mantê-lo, é no Evangelho que encontramos o guia a reger nosso comportamento.


Rino Curti

Um comentário:

Mel disse...

Adorei mto o assunto abordado aqui...
mesmo pq,estamos sempre aprendendo com a espiritualidade, pois sem ela, não teríamos a inteligência de hj...

Mto obm o tema e o blog tb estã amadurecendo...mto bom...

bjo iluminado no coração de todos...