Os demônios segundo o Espiritismo


Segundo o Espiritismo, nem anjos nem demônios são entidades distintas, por isso que a criação de seres inteligentes é uma só. Unidos a corpos materiais, esses seres constituem a Humanidade que povoa a Terra e as outras esferas habitadas; uma vez libertos do corpo material, constituem o mundo espiritual ou dos Espíritos, que povoam os Espaços. Deus criou-os perfectíveis e deu-lhes por objetivo a perfeição, com a felicidade que dela decorre. Deus não lhes deu, contudo, a perfeição, pois quis que a obtivessem por seu próprio esforço, a fim de que também e realmente lhes pertencesse o mérito. Desde o momento da sua criação que os seres progridem, quer encarnados, quer no estado espiritual. Atingido o apogeu, tornam-se Espíritos puros ou anjos, segundo a expressão vulgar; de sorte que, desde o embrião do ser inteligente até ao anjo, há uma cadeia ininterrupta, na qual cada um dos elos assinala um grau de progresso


Disso resulta que há Espíritos em todos os graus de adiantamento moral e intelectual, conforme a posição em que se acham, no alto, embaixo ou no meio da imensa escala do Progresso.


Em todos os graus existe, portanto, ignorância e saber, bondade e maldade. Nas classes inferiores destacam-se Espíritos ainda profundamente propensos ao mal e comprazendo-se com o mal. A estes pode-se denominar demônios, pois são capazes de todos os malefícios aos ditos atribuídos. O Espiritismo não lhes dá tal nome, pois entende que o mesmo se prende à idéia de uma criação distinta do gênero humano, com seres de natureza essencialmente perversa, votados ao mal eternamente e incapazes de qualquer progresso para o bem.


Segundo a doutrina da Igreja os demônios foram criados bons e tornaram-se maus por sua desobediência: são anjos colocados primitivamente por Deus no ápice da escala, tendo dela decaído. Segundo o Espiritismo os demônios são Espíritos imperfeitos, suscetíveis de regeneração e que, colocados na base da escala, hão de nela graduar-se.


Os que por indiferença, negligência, obstinação ou má-vontade persistem em ficar, por mais tempo, nas classes inferiores, sofrem as conseqüências dessa atitude, e o hábito do mal dificulta-lhes a regeneração. Chega-lhes, porém, um dia a fadiga dessa vida penosa e das suas respectivas conseqüências; eles comparam então a sua situação à dos bons Espíritos e compreendem que o seu interesse está no bem, procurando então melhorarem-se, mas por ato de espontânea vontade, sem que haja nisso o mínimo constrangimento. Eles estão submetidos à lei geral do progresso, em virtude da sua aptidão para progredir, mas não progridem, ainda assim, contra a vontade. Para isso Deus fornece-lhes constantemente os meios, porém, com a faculdade de aceitá-los ou recusá-los. Se o progresso fosse obrigatório não haveria mérito, e Deus quer que todos tenhamos o mérito de nossas obras. Ninguém é colocado em primeiro lugar por privilégio; mas o primeiro lugar a todos é franqueado à custa do esforço próprio. Os anjos mais elevados conquistaram a sua graduação, passando, como os demais, pela rota comum.


Chegados a certo grau de pureza, os Espíritos têm missões adequadas ao seu progresso; preenchem assim todas as funções atribuídas aos anjos de diferentes categorias.


E como Deus criou de toda a eternidade, segue-se que de toda a eternidade houve número suficiente para satisfazer às necessidades do Governo Universal. Deste modo uma só espécie de seres inteligentes, submetida à lei de progresso, satisfaz todos os fins da Criação.


Por fim, a unidade da Criação, aliada à idéia de uma origem comum, tendo todos o mesmo ponto de partida e a mesma trajetória a percorrer, elevando-se assim pelo próprio mérito, corresponde melhor à justiça de Deus do que a idéia da criação de espécies diferentes, mais ou menos favorecidas de dotes naturais, que seriam outros tantos privilégios.


A doutrina vulgar sobre a natureza dos anjos, dos demônios e das almas, não admitindo a lei do progresso, mas vendo, todavia, seres de diversos graus, concluiu assim que seriam produto de outras tantas criações especiais. E assim foi que chegou-se a fazer de Deus um pai parcial, tudo concedendo a alguns de seus filhos, e a outros impondo os mais rudes trabalhos. Não admira que por muito tempo os homens achassem justificação para tais preferências, quando eles próprios delas usavam em relação aos filhos, estabelecendo direitos de primogenitura e outros privilégios de nascimento. Podiam tais homens acreditar que andavam mais errados que Deus?


Hoje, porém, alargou-se o circulo das idéias: o homem vê mais claro e tem noções mais precisas de justiça; desejando-a para si e se nem sempre encontrando-a na Terra, ele quer pelo menos encontrá-la mais perfeita no Céu.


E aqui está por que lhe repugna à razão toda e qualquer doutrina na qual não resplenda a Justiça Divina na plenitude integral da sua pureza.


Texto retirado do livro “O Céu e o Inferno - A Justiça Divina Segundo o Espiritismo” – Allan Kardec

Evangelho Segundo Espiritismo Cap XXVIII Questões 20 e 21



Para pedir a força de resistir a uma tentação


20. PREFÁCIO. Duas origens pede ter qualquer pensamento mau: a própria
imperfeição de nossa alma, ou uma funesta influência que sobre ela se exerça. Neste último
caso, há sempre indício de uma fraqueza que nos sujeita a receber essa influência; há, por
conseguinte, indício de uma alma imperfeita. De sorte que aquele que venha a falir não
poderá invocar por escusa a influência de um Espírito estranho, visto que esse Espírito não o
teria arrastado ao mal, se o considerasse inacessível à sedução.
Quando surge em nós um mau pensamento, podemos, pois, imaginar um Espírito
maléfico a nos atrair para o mal, mas a cuja atração podemos ceder ou resistir, como se se
tratara das solicitações de uma pessoa viva. Devemos, ao mesmo tempo, imaginar que, por
seu lado, o nosso anjo guardião, ou Espírito protetor, combate em nós a influência e espera
com ansiedade a decisão que tomemos. A nossa hesitação em praticar o mal é a voz do
Espírito bom, a se fazer ouvir pela nossa consciência.
Reconhece-se que um pensamento é mau, quando se afasta da caridade, que constitui
a base da verdadeira moral, quando tem por princípio o orgulho, a vaidade, ou o egoísmo;
quando a sua realização pode causar qualquer prejuízo a outrem; quando, enfim, nos induz a
fazer aos outros o que não quereríamos que nos fizessem. (Cap. XXVIII, n° 15; cap. XV, nº
10.)


21. Prece. - Deus Todo-Poderoso, não me deixes sucumbir à tentação que me impele
a falir. Espíritos benfazejos, que me protegeis, afastai de mim este mau pensa mento e dai-me
a força de resistir à sugestão do mal. Se eu sucumbir, merecerei expiar a minha falta nesta
vida e na outra, porque tenho a liberdade de escolher

O Sono



Pois é né gente!! Vamos parar para analisar isso!
Fiquem todos na paz do Mestre.

Uma Prece ao amanhecer


Venho, Pai, me reverenciar diante da luz que me abraça.
Venho, Mestre, me colocar à disposição de amor e de paz para que minhas horas de percurso diário possam me abastecer e eu possa me dilatar em Tua direção.

Venho, no íntimo de mim mesmo, pedir-te a proteção e o esclarecimento em tarefas que me permitam dilatar a minha esperança na reconstrução de minha alma e na do mundo que me acolhe.

Venho, Pai, agradecer pelo alimento deste dia, pela paz da minha alma, pelos indultos que me concedes.

Permita, Pai, que eu possa realizar as tarefas pretendidas e que dentro das minhas possibilidades esteja o meu crescimento como criatura infinita.

Ampara-me, Pai, em minhas dificuldades.

Lança-me a âncora da esperança para que eu possa querer continuar e buscar o meu fortalecimento íntimo na luta presente.

Que este dia possa revelar a mim em determinação de Sua excelsa vontade.

Que eu possa ser o amigo, o irmão e levar a paz, a compreensão e a esperança aos sofredores e àqueles que Te esqueceram.

Que meus passos me conduzam à plena complementação de minha alma.

Que eu consiga me fazer humilde e caridoso diante de mim mesmo e das almas que me envolvem.

Que acima de tudo, Pai, que eu possa ser sempre um filho Teu e Te buscar naqueles que colocastes à prova.

Que a luta diária seja o meu alimento espiritual trazendo-me a freqüências ideais de ser eterno. Ajuda-me a vencer a mim mesmo, a atenuar a minha culpa, a acolher a todos com amor, a empreender mais esta caminhada entendendo que tudo que me abastece é por Ti tocado e que dentro de mim possa se consubstanciar a união pretendida.

Ampara-me, Pai, e que eu chegue a noite e possa novamente ter este diálogo amigo e confortador.

Que meus passos cumpram, exatamente o percurso pedido por mim e em cada momentode minha caminhada eu jamais me esqueça que estás a me amparar e proteger.


Que assim seja!


Emmanuel

O Verdadeiro Espírita

O verdadeiro espírita“O espírita é reconhecido pelo esforço que faz para sua transformação moral e para vencer suas tendências para o mal.” – Allan Kardec

O verdadeiro espírita é aquele que aceita os princípios básicos da Doutrina Espírita. Quando se pergunta ao praticante: Você é espírita? Comumente ele responde: “Estou tentando”. Na verdade, a resposta deveria ser sem hesitação: Sou espírita!!! Quanto ao fato de ser perfeito ou qualquer qualificação moral é outro assunto, que não exime o profitente de ser incisivo na sua resposta. Nesse ponto, o praticante não tem que hesitar na sua definição, porquanto Allan Kardec foi claro no seu esclarecimento ao afirmar que se reconhece o espírita pelo seu esforço, pela sua transformação, e não pelas suas virtudes ou pretensas qualidades, raras nos habitantes deste Planeta.


O que acontece com freqüência, seja iniciante ou mesmo com os mais antigos, é que, será mais cômodo não assumir uma postura mais responsável ou permanecer com um pé na canoa e outro na terra. Admite-se até, em determinadas ocasiões que se queira dar uma demonstração de modéstia, mas, que não se justifica sob o ponto de vista de definição pessoal.


A propósito, lembro-me de ter ouvido em uma emissora de rádio da Capital um pronunciamento de um padre católico, ao referir-se aos católicos, que freqüentam os Centros Espíritas para os habituais Passes e a “aguinha fluidificada” e passam a vida sem ter a mínima noção do que representa o Passe e a água. Para esses meio-cá-meio-lá, o mencionado reverendo denominou-se de “catóritas”. Engraçado, não!?


Como chamar os espíritas que se dedicam aos trabalhos nos Centros Espíritas, mas que continuam batizando os filhos, sob o pretexto de que quando maiores escolherão sua própria religião, casam os filhos na Igreja com as pompas e as cerimônias habituais, fazem a Primeira Comunhão com as tradições da Igreja Católica, etc?


Quando os Centros Espíritas se organizarem verdadeiramente, proporcionando aos seus freqüentadores, além do Passe e da Água Fluidificada, a orientação doutrinária, para maior compreensão dos princípios básicos que devem nortear o aprendiz e os trabalhadores na Seara Espírita, certamente, o verdadeiro espírita terá uma nova postura na sociedade, mais convincente, porque passará a distinguir o que é ser espírita, segundo a analogia explicitada por Allan Kardec nas obras básicas organizadas pelo codificador sob a orientação dos Benfeitores Espirituais.


“Solidários, seremos união. Separados uns dos outros seremos pontos de vista. Juntos, alcançaremos a realização de nossos propósitos.” – Bezerra de Menezes


(Publicado no Jornal A Voz do Espírito - Edição 92: Dezembro de 1998)

[Homossexualismo] Chico Xavier comenta sobre

Programa Pinga FogoChico Xavier debate sobre o tema "Homossexualismo" e explica para a plateia.




Cont... Reforma Íntima - A Revelação


Pontos fundamentais de divergências entre o Espiritismo e as outras Religiões cristãs são os relativos às noções de Revelação e da personalidade do Cristo. Tais Religiões entendem a Revelação como manifestação de Deus para com os homens: portanto, conteúdo de verdades absolutas. E consideram Jesus ele próprio Deus, na pessoa de seu filho, que ter-se-ia feito homem a fim de redimir a humanidade do pecado original.


Para o Espiritismo as noções se modificam. A Revelação existe, mas não como manifestação de Deus a comunicar-se com os homens. Deus é o princípio das causas que atua sobre os dois princípios — o material e o espiritual — por leis naturais, leis estas que os espíritos devem determinar e conhecer para aplicar nas tarefas da co-criação, pelas quais, instados a participar nas obras da criação, evoluem.É da lei que os espíritos progridam pelas realizações da co-criação, segundo desígnios a nós imperscrutáveis. Mutuamente apoiados. Os maiores valendo-se dos menores para afirmar-se; os menores prestando serviço aos maiores e recolhendo deles, a seu turno, preciosa cooperação para crescerem.


Para o homem, tudo procede como se ele estivera dentro de um plano, em que ele figura qual partícipe, ficando-lhe resguardados o exercício do livre-arbítrio e a necessidade de realização própria. Assim sendo, recebe ele, do Plano Maior, pela Revelação, as diretrizes em forma de princípios básicos ou fundamentais, cabendo-lhe todavia as iniciativas e a elaboração dos meios pelos quais há de se conduzir. Progressivamente. Recebendo nova lição após o aprendizado e o esgotamento de possibilidades contidas na anterior.


Enfim, a Revelação é progressiva. Cabe ao homem, entretanto, dentro desses princípios, proceder à determinação das leis que o governam, para conduzir-se por elas, a fim de evoluir. E, nessa elaboração, deve ele proceder com base nos fatos, pela observação e experiência — metodicamente — com a aplicação do método teórico-experimental, o método já largamente usado pelas ciências. Esta é a grande revelação do Espiritismo: as leis que governam o princípio espiritual são cognoscíveis com o mesmo método que a Ciência utiliza para a determinação das leis que regem o princípio material. Ele próprio se intitula ciência das leis que regem o princípio espiritual. Por isso refuta as concepções das outras Religiões: porque elaboradas numa Revelação pretensamente divina e definitiva — completa — e construídas racionalmente à margem dos fatos e das observações, cada vez mais reveladoras de novos dados, com o progredir.


Veremos agora como se estruturam as novas concepções e como, por elas, Ciência e Religião se compatibilizam, irmanando-se quais ferramentas dignas e indispensáveis à realização do progresso e à consolidação das conquistas que hão de caracterizar o homem do futuro.


A — Jesus


A concepção de que Jesus é Deus está elaborada sobre as noções bíblicas de Adão, tido como primeiro homem, e do pecado original, que ele teria cometido. Mais ainda: sobre a noção aristotélica de substância que o dogmatismo consolidou. Diz-se que Adão, ao cometer o pecado original, ofendera a Deus. O grau de ofensa, sendo determinado pela grandeza do ofendido, resultaria infinito. O homem, ser de possibilidades limitadas, não poderia repará-la. Deus, entretanto, na sua infinita misericórdia, ter-se-ia feito homem na pessoa de seu filho — Jesus — visto que, como Deus, só Ele poderia proporcionar reparo no grau requerido e, com isso, resgatar o homem do pecado original, reabrindo-lhe as possibilidades de salvação.


Não seria, entretanto, pelas vias comuns a todos os homens que Deus ter-se-ia feito homem. E, nisto, intervém a noção aristotélica de substância: assim como de uma galinha só poderá resultar outra, de um cavalo outro também, dado que ambos são constituídos de substâncias ou formas distintas, permanentes, irredutíveis entre si (noção ausente portanto da idéia de evolução, segundo a qual o princípio que anima um ser progride e anima ao longo de sua evolução espécies diferentes), assim do homem só poderá surgir um homem, jamais um Deus. Daí o dogma do engravidamento de Maria pelo Espírito Santo, ele também Deus: a terceira pessoa.


Com a noção de evolução, tais concepções caem por terra. Jesus é um espírito de grande hierarquia. É o condutor desta humanidade na sua marcha evolutiva, tendo recebido o planeta no instante de sua formação. Traçou-íhe as leis físicas e morais, em obediência às leis de Deus; conduziu-o no seu desenvolvimento desde os primórdios até os dias atuais e sua reencarnação teve por fim trazer o Evangelho, fruto de sua elaboração: a norma pela qual o homem deve orientar, neste planeta, o seu comportamento.


Com base nos fatos não há nada, até o momento, que evidencie qualquer exceção no processo existente da reencarnação e, portanto, nada que justifique não tenha ele nascido de José e Maria, de forma natural. Todos os espíritos, maiores ou menores, vêm a este mundo pelos canais normais e comuns da reencarnação.


B — A formação do conhecimento


Para o Espiritismo, a forma que sustenta os corpos é o espírito que evolui, segundo André Luiz, através dos reinos mineral, vegetal, animal e hominal, com origens e fins a nós desconhecidos.O ser, ao passar da fase animal para a fase hominal, adquire o pensamento contínuo, a razão, o livre-arbítrio, pelos quais é despertado a conduzir-se por si mesmo. Surgido da animalidade e impelido a aceitar os princípios de renovação e progresso, começa a sentir o amor pelo apego à própria prole; passa a instituir a propriedade e traça para si próprio determinadas regras de conduta, para que não imponha aos semelhantes ofensas e prejuízos que não deseja receber.


Inicia-se sua evolução do ponto de vista moral, em que é amparado e guiado pelo Plano Superior. Diz André Luiz: "Pela troca dos pensamentos de cultura e beleza, em dinâmica expansão, os grandes princípios da Religião e da Ciência, da Virtude e da Educação, da Indústria e da Arte descem das Esferas Sublimes e impressionam a mente do homem". Nas primeiras manifestações de mediunidade, os homens melhores assimilam, por intuição, as correntes mentais dos espíritos mais avançados, gerando trabalho e progresso nos meandros do bem.


As concepções que se lhe formam, correspondem ao seu poder conceptual, limitado às experiências que vive. A vida nos dois planos, as manifestações mediúnicas, o sono, o sonho, as inspirações que recebe do alto, fixam-lhe, desde os primórdios, a idéia de sobrevivência. Incapaz que é de conceber força que não seja exercida por animal ou homem, atribui a causa dos fenômenos aos espíritos que, com a morte, adquiririam poderes sobrenaturais.


Dá-se conta de que há circunstâncias favoráveis e outras desfavoráveis aos acontecimentos, mas não se apercebe de que ele pode nelas atuar. Acredita que os mortos podem fazê-lo. Daí os cultos e rituais, pelos quais pretende influenciá-los a operarem em seu benefício. É o pressuposto das crenças caracterizadas pelo Totemismo. Pouco a pouco passa a conceber o mundo entremeado por uma força — o maná — pela qual os seres podem influenciar-se mutuamente, podendo dar-se aos objetos, forças e qualidades. Sob esta concepção desenvolve a magia e a feitiçaria, pelas quais supõe poder conferir poder mágico aos objetos, afastar a desgraça ou produzir felicidade, dando origem a todas as espécies de superstições, amuletos, feitiços e talismãs. É a evolução do Totemismo para o Animismo.


Enfim surgem duas atitudes: uma teórica, que pretende explicar ou dar razão de ser aos acontecimentos; outra prática, que pretende, em função do conhecimento teórico, fornecer meios práticos para melhorar o viver. É nessa fase que as "Inteligências Superiores incentivam o progresso da agricultura, do pastoreio, das indústrias, das artes e da Mitologia, a fim de instaurar a tarefa religiosa que viria ao encontro das civilizações, plena de inspiração e disciplina, patrocinando a orientação do corpo espiritual em seu necessário refinamento". É o Politeísmo.


C — O descobrimento das leis naturais


As concepções teóricas se desenvolvem. Pouco a pouco o homem começa a perceber que na Ciência, na Técnica, na Arte, os fatos se apresentam cada vez mais sujeitos a leis naturais do que como resultado de seus rituais. Começa-se a estabelecer aos poucos que, em lugar dos rituais e cultos, mais valem a prática da bondade, da retidão, da sinceridade, da ciência, do valor, da piedade; que os males se assentam na prática dos vícios, na ignorância, no pessimismo, na avareza, no erro, na inveja, na malícia, na cólera, na maldade, na calúnia, na difamação, no roubo, na contratação de dívidas.


As concepções acerca do mundo e das coisas, sempre alimentadas pelo Alto que guia o homem no seu desenvolvimento, tendem a unificar-se e a entender o princípio da vida como assente em uma causa primordial. As várias Religiões efetuam conquistas parciais. O Bramanismo instaura as noções de reencarnação e Carma; o Budismo desenvolve sobre elas a idéia de salvação para todos; o Confucionismo fixa regras de bem viver e de bom comportamento; o Mazdeísmo distingue entre o bem e o mal; o Judaísmo estabelecea crença dó Deus único, deus de justiça, pela qual aprofunda o conhecimento das leis que regem o mundo e que a todos determina se viva segundo princípios morais.


D — As três revelações


Certamente a idéia de Deus único e de vida regida por leis morais são idéias que amadureceram ao longo do tempo, não sendo lícito estabelecer-lhes um princípio. Entretanto, por constituir-se o decálogo num marco definitivo na sua maturação e sendo ele atribuído à Revelação feita a Moisés no monte Sinai, como promulgação da Lei e da verdadeira fé, é a isto que se dá o nome de primeira revelação; a primeira revelação das leis de Deus.


Com Jesus estabelece-se outro marco nesta concepção relativa às leis naturais. Revela ele o reino dos céus, no qual se desenvolve a verdadeira vida e as penas e recompensas que aguardam o homem depois da morte. Revela ainda que Deus é uma vontade amante, que ama sua Criação como um pai ama a seus filhos, infinitamente misericordioso, em quem devemos confiar e que governa por leis que são leis de amor. Que todos, por isso, somos irmãos, devemos nos amar fraternalmente, elegendo a caridade a virtude essencial para a salvação.


Ele próprio estabelece o princípio da revelação progressiva, ao afirmar que mais tarde enviaria o Consolador, o Espírito de Verdade, para o esclarecimento de outras coisas que Ele não pudera dizer, por não estarem ao alcance dos homens então. É a segunda revelação da lei de Deus. Com o Espiritismo estabelece-se novo marco fundamental. Fixa sobre bases definitivas, baseado nos fatos, a existência do espírito e do mundo espiritual. Determina as leis da evolução e da reencarnação e estabelece de maneira definitiva que as leis relativas ao espírito se determinam da mesma forma pela qual a Ciência determina as leis que governam o princípio material.


Ele próprio se constitui na Ciência que tem este objetivo. É a terceira revelação acerca das leis de Deus. Como consequência, Ciência e Religião se tornam dois aspectos do conhecimento: pela primeira, determinam-se as leis do mundo material; pela segunda, as leis do mundo espiritual. E, nesse procedimento teórico-experimental, encontram ambas o elo que as une, o elemento que desfaz a incompatibilidade tida como existente: a Ciência, pela consideração do elemento espiritual; a religião, pela consideração das leis da matéria, instituindo a fé raciocinada.


Diz Kardec textualmente em: "O Espiritismo e a Ciência se completam reciprocamente: a Ciência, sem o Espiritismo, se acha na impossibilidade de explicar certos fenômenos só pelas leis da matéria; ao Espiritismo, sem a Ciência, falta apoio e comprovação." Da maneira em que a Doutrina se constituiu, passou a ter, como a Ciência, caráter evolutivo, não podendo jamais ser ultrapassada porque é capaz de acompanhar toda e qualquer modificação decorrente de novas descobertas.


Acerca dessa compatibilidade entre a Doutrina e a Ciência, afirma Kardec: "A Ciência tem por missão descobrir as leis da natureza. Ora, sendo essas leis obra de Deus, não podem ser contrárias a religiões que se baseiam na Verdade. É, ao demais, trabalho inútil, porquanto nem todos os anátemas do mundo seriam capazes de obstar a que a Ciência avance e a que a verdade abra caminho. Se a Religião se nega a avançar com a Ciência, esta avançará sozinha.",


Rino Curti


Mensagem - 1° de Maio de 2009

Cada homem, dentro daquilo que sabe e conhece, e usando todos os atributos conquistados ao longo de suas existências, vem sempre crescendo e buscando o maior ensinamento que pode ser dado a si próprio e em benefício da sua escalada espiritual. Os obstáculos sempre serão vencidos na medida que houver humildade, paz interior e sabedoria, levando a sua vida material de modo correto e honesto, mesmo diante das suas fraquezas materiais; no entanto, o homem deverá sempre lutar diante de todo e qualquer pensamento que possa desviar sua atenção da verdadeira opção de vida diante do Evangelho de Jesus. Sabemos que nem tudo é fácil, pois a vida, na maioria das vezes, traz tropeços, vacilos e sobretudo, caídas diante de vicissitudes que são perfeitamente normais, num ser imperfeito e ainda, carecendo de melhoria contínua no aprendizado do que representa o sentido real de uma vida material. A questão de ser ou não bom, amar ou não amar, faz parte de um conjunto de normas que todo ser humano passa e aprende diante de inúmeras dificuldades e barreiras que são colocadas de forma estratégica e na certeza, de que diante tudo isso, poderá obter um melhor conhecimento de seu interior e do que, realmente habita na sua consciência. Um detalhe importantíssimo é o orgulho e a vaidade, que são ervas daninhas que sempre contaminam o homem quando está sob o corpo físico e obedece ainda as tendências que vem carregando há séculos e agora precisa, revigorar e expurgar do seu campo mental e espiritual. Muita Paz com Jesus.

Caio Cezar / Dílson Macedo

1º de maio de 2009