Livre-Arbítrio e Providência


Um dos problemas que mais preocuparam os filósofos e os teólogos é o do livre arbítrio: conciliar a vontade e a liberdade do homem com o fatalismo das leis naturais e com a vontade divina, parecia tanto mais difícil quanto um cego acaso parecia pesar, aos olhos de muitos, sobre o destino humano. O ensinamento dos espíritos esclareceu o problema: a fatalidade aparente que semeia de males o caminho da vida, não é mais que a conseqüência lógica do nosso passado, um efeito que se refere a uma causa, é o cumprimento do destino por nós mesmos aceito antes de renascer, e que nossos guias espirituais nos sugerem para nosso bem e nossa elevação.



Nas camadas inferiores da criação, o ser não tem ainda consciência; apenas a fatalidade do instinto o impele, e não é senão nos tipos superiores da animalidade que surgem, timidamente, os primeiros sintomas das faculdades humanas. A alma, jungida ao ciclo humano, desperta para a liberdade moral, o juízo e a consciência desenvolvem-se cada vez mais no curso de sua imensa parábola: colocada entre o bem e o mal, ela faz o confronto e escolhe livremente, tornada sábia pelas quedas e pela dor; e na prova, sua experiência forma-se e sua força mental se afirma.



A alma humana, livre e consciente, não pode mais recair na vida inferior: suas encarnações sucedem-se na dos mundos, até que, ao fim de seu longo trabalho, tenha conquistado a sabedoria, a ciência e o amor, cuja posse a emancipará para sempre das encarnações e da morte, abrindo-lhe a porta da vida celeste.



A alma alcança seus destinos, prepara suas alegrias ou dores, exercendo sua liberdade, porém, no curso de sua jornada, na prova amarga e na ardente luta das paixões, a ajuda superior não lhe será negada e, se ela mesma não a afasta, por parecer indigna dela, quando a vontade se afirma para retomar o caminho do bem, o bom caminho, a providência intervém e propicia-lhe ajuda e apoio, Providência é o espírito superior, o anjo que vigia na desventura, o Consolador invisível cujas inspirações aquecem o coração enregelado pelo desespero, cujos fluidos vivificadores fortalecem o peregrino cansado; providência é o farol aceso na noite para salvação daqueles que erram no oceano proceloso da existência; providência é, ainda e sobretudo, o amor divino que se derrama sobre suas criaturas. E quanta solicitude, quanta previdência neste amor. Não suspendeu os mundos no espaço, acendeu os sois, formou os continentes, os mares, para servir de teatro à alma, de campo aos seus progressos? Esta grande obra de criação cumpre-se somente para a alma, para ela combinam-se as forças naturais, os mundos deixam as nebulosas.



A alma é nascida para o bem, mas para que ela possa apreciá-lo na justa medida, para que possa conhecer-lhe todo o valor, deve conquistá-lo desenvolvendo livremente as próprias potencialidades: a liberdade de ação e a responsabilidade aumentam com sua elevação, pois quanto mais ela se ilumina mais pode e deve conformar a sua obra pessoal às leis que regem o universo.



A liberdade do ser é exercida, pois, em um círculo limitado, parte pelas exigências da lei natural que não sobre violações ou desordens neste mundo, parte pelo passado do próprio ser, cujas conseqüências se refletem sobre ele através dos tempos, até a completa reparação.



Assim o exercício da liberdade humana não pode obstar, em caso algum, a execução do plano divino, sem o que a ordem das coisas seria continuamente perturbada: acima de nossas vistas limitadas e variáveis, permanece e continua a ordem imutável do universo. Somos quase sempre maus juizes daquilo que é nosso verdadeiro bem; se a ordem natural das coisas devesse dobrar-se aos nossos desejos, que espantosas perturbações não resultariam disto?



A primeira coisa que o homem faria, se possuísse liberdade absoluta, seria afastar de si todas as causas de sofrimento, e assegurar para si uma vida plena de felicidade: ora, se existem males que a inteligência humana tem o dever e os meios de conjurar e destruir, como os que provêm do ambiente terrestre, outros existem que são inerentes à nossa natureza, como os vícios, que somente a dor e a repressão podem domar.



Neste caso a dor torna-se uma escola, ou antes, um remédio indispensável, pelo qual as provas são apenas uma repartição equânime da infalível justiça: é por ignorar os fins desejados por Deus, que nos tornamos rebeldes à ordem do mundo e às suas leis, e se elas são suscetíveis de nossas críticas, é apenas porque ignoramos o seu oculto poder.



O destino é conseqüência de nossos atos e de nossas livres resoluções: no suceder-se das existências, na vida espiritual, mais esclarecidos sobre nossas imperfeições e preocupações com os meios de eliminá-las, aceitamos a vida material sob a forma e nas condições que nos parecem adequadas a atingir esta finalidade. Os fenômenos do hipnotismo e da sugestão mental explicam-nos o que acontece em tais casos, sob a influência de nossos protetores espirituais; no estado de sonambulismo, a alma empenha-se a realizar uma certa ação em certo momento, por sugestão do magnetizador, e, despertada, sem recordar aparentemente a promessa, executa com exatidão o ato imposto. Assim o homem não conserva lembrança das resoluções que tomou antes de renascer, mas, chegada a hora, afronta os acontecimentos previstos, e participa deles na medida necessária ao seu progresso, ou ao cumprimento da lei inexorável.

Livro: Depois da Morte

Autor: Léon Dinis

Para Afastar os Maus Espíritos

15. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque limpais o que está por fora do corpo e do prato, e por dentro estais cheios de rapina e de imundícias. Fariseu cego, purifica primeiro o interior do copo, e do prato, para que também o exterior fique limpo. Ai de vós, escribas e fariseus hipócritas, porque sois semelhantes aos sepulcros branqueados, que parecem por fora formosos aos homens, e por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda asquerosidade. Assim também vós outros, por fora vos mostrais na verdade justos aos homens, mas por dentro estais cheios de hipocrisia e iniqüidade. (Mateus, XXIII: 25-28).

16. Prefácio _ Os maus Espíritos só estão onde podem satisfazer a sua perversidade. Para afastá-los, não basta pedir, nem mesmo ordenar que se retirem: é necessário eliminar em nós aquilo que os atrai. Os Espíritos maus descobrem as chagas da alma, como as moscas descobrem as do corpo. Assim, pois, como limpais o corpo para evitar as bicheiras, limpai também a alma das suas impurezas, para evitar as obsessões. Como vivemos num mundo em que os maus Espíritos pululam, as boas qualidades do coração nem sempre nos livram das suas tentativas, mas nos dão a força necessária para resistir-lhes.

17. Prece _ Em nome de Deus Todo-Poderoso, que os maus Espíritos se afastem de mim, e que os Bons me defendam deles! Espíritos malfazejos, que inspirais maus pensamentos aos homens; Espíritos enganadores e mentirosos, que os enganais; Espíritos zombeteiros, que zombais da sua credulidade, eu vos repilo com todas as minhas forças e fecho os meus ouvidos às vossas sugestões, mas peço para vós a misericórdia de Deus. Bons Espíritos, que me assistis, dai-me a força de resistir à influência dos maus Espíritos, e as luzes necessárias para não cair nas suas tramas. Preservai-me do orgulho e da presunção, afastai do meu coração o ciúme, o ódio, malevolência, e todos os sentimentos contrários à caridade, que são outras tantas portas abertas aos Espíritos maus.

Fonte limpa e Luz Acesa

Façamos o que pudermos pela divulgação da Doutrina, mas não a atropelemos ...

A pretexto de sua difusão mais rápida, não podemos trair-lhe os princípios.

Tudo segue ritmo normal.

O mundo não será espírita hoje nem tampouco amanhã ...

Aliás, o mundo tornado espírita é o mundo tornado bom.

O Espiritismo está na Natureza; ele também se propaga pela força das circunstâncias ...

Nada consegue calar a voz da Verdade.

Tudo é uma questão de tempo e maturidade espiritual.

O que precisamos é de manter a fonte sempre pura ...

Quem tiver sede virá beber.

É óbvio que, sendo possível, é nosso dever estender o copo d'água ao sedento.

Agora, precisamos ter o máximo cuidado para não conspurcarmos a fonte.

Continuemos fazendo pela expansão da Doutrina o que pudermos, mas sem aflição, sem negociatas ou contemporizações.

É melhor que avancemos 1 milímetro de cada vez do que darmos um salto de 10 metros para o abismo ...

A função do homem do farol é a de manter a sua luz acesa: os navios é que devem ir no rumo seguro ...

Esquecendo-se de orar

Observa-se que, lamentavelmente, muitos companheiros de Doutrina vêm relegando a oração a plano secundário - oram apenas quando, de público, são conclamados a tanto.

A oração deve ser a nossa luz de todo instante, na travessia das dificuldades que, no caminho de quem não ora, costumam exacerbar-se.

A oração é um exercício de humildade, abençoada escora que nos mantém de pé, quando sopra mais forte o vento das adversidades.

Orar em comunhão íntima com o Criador, elevando o pensamento e o coração, buscando forças e coragem, por suplementos indispensáveis nas provações que estejamos atravessando e nas que ainda haverão de chegar ...

A oração sincera é vacina contra a perturbação e o desequilíbrio à mercê do qual se colocam aqueles que se julgam dispensados de orar.

A vida de muita gente se converte, sem dúvida, em uma prece contínua, por suas ações centralizadas no bem, mas nem por isso deveriam se considerar isentos da necessidade de, genuflexos, se dirigirem ao Criador em um gesto de reverência e respeito do filho para com o Pai!

Perdoa-te


A palavra evangélica adverte que se deve ser indulgente para com as faltas alheias e severo em relação às próprias.
Somente com uma atitude vigilante e austera no dia-a-dia o homem consegue a auto-realização.
Compreendendo que a existência carnal é uma experiência iluminativa, é muito natural que diversas aprendizagens ocorram através de insucessos que se transformam em êxitos, após repetidas, face aos processos que engendram.
A tolerância, desse modo, para com as faltas alheias, não pode ser descartada no clima de convivência humana e social.
Sem que te acomodes à própria fraqueza, usa também de indulgência para contigo.
Não fiques remoendo o acontecimento no qual malograste, nem vitalizes o erro através da sua incessante recordação.
Descobrindo-te em gravame, reconsidera a situação, examinando com serenidade o que aconteceu, e regulariza a ocorrência.
És discípulo da vida em constante crescimento.
Cada degrau conquistado se torna patamar para novo logro.
Se te contentas, estacionando, perdes oportunidades excelentes de libertação.
Se te deprimes e te amarguras porque erraste, igualmente atrasas a marcha.
Aceitando os teus limites e perdoando-te os erros, mais facilmente treinarás o perdão em referência aos demais.
Quando acertes, avança, eliminando receios.
Quando erres, perdoa-te e arrebenta as algemas com a retaguarda, prosseguindo.
O homem que ama, a si mesmo se ama, tolerando-se e estimulando-se a novos e constantes cometimentos, cada vez mais amplos e audaciosos no bem.

Joanna de Ângelis

Aflições


No íntimo de todas as criaturas existe o desejo de ser feliz e de afastar os sofrimentos.

Ninguém gosta de sofrer.

No entanto, Jesus cristo nos disse: “no mundo só tereis aflições.”

São variadas as causas das aflições. Podemos, para melhor compreensão, separá-las entre as que têm origem em nossa intimidade e aquelas próprias da natureza em que vivemos.

Assim temos várias dores que somente têm a ver com o mundo em que nos encontramos.

Por exemplo, a dor causada pelo nascimento do siso, o último dos molares, é um impositivo da biologia humana. A dor pela picada de um mosquito ou de uma agulha, da mesma forma.

São dores próprias de um mundo material. São dores comuns a que estão sujeitos os seres que habitam o planeta.

O sofrimento faz parte de nossa vida, uma vez que em tudo existe a necessidade de ação.

Nossa mente pensa, nossa vontade almeja. Mas o corpo precisa executar.

Toda vez que desejamos alguma coisa, quando aspiramos algo, a necessidade de trabalhar para realizar nossos sonhos gera um certo sofrimento.

Quem deseja bater recordes, vive aflições. São horas intermináveis de exercícios, disciplina rígida, com intuito de superar as próprias limitações físicas.

Dores físicas, preocupação com a classificação, um revés de última hora. Aflições de toda sorte.

Quem deseja passar no vestibular, apesar do grande esforço aplicado no estudo, se aflige ante a perspectiva de não conseguir a vaga pretendida.

E se esquecer tudo na hora da prova? E se não conseguir a vaga? E se precisar fazer outro vestibular?

Quem deseja ser cantor, ator, engenheiro, médico passa pelas aflições das horas estafantes de estudo, estágio, aprendizagem, esforço,testes.

Reveses. Inquietudes. Aflições.

Em tudo há sofrimento pois em tudo existe a necessidade do esforço material, de conformidade com o nível evolutivo do mundo em que vivemos.

No mundo só teremos aflições!

São os sofrimentos desse mundo, os empeços materiais que se apresentam.

Também existem os sofrimentos causados por nós mesmos. É o resultado originado de nossas intenções, de nossas atitudes, do estado geral da nossa mente e do nosso coração.

Quando tomamos decisões desequilibradas, sofremos.

Quando agimos de forma negativa, teremos que recolher adiante o resultado dessas ações infelizes.

Quando pensamos somente em nós, num egocentrismo doentio, sofremos.

Quando desejamos que as coisas não passem, não mudem ou não terminem, sofremos novamente.

Tudo passa. As paisagens mudam. Os momentos bons terminam, e os maus também.

Procurando entender a mensagem de Jesus poderemos vencer os sofrimentos do mundo, vendo-os como realmente se apresentam.

Ou seja, como empeços materiais numa realidade relativa. Alargando nosso ponto de vista poderemos vencer a melancolia e a aflição.

Sem visão pessimista, venceremos os obstáculos próprios ao meio em que nos encontramos.

E se optarmos por seguir Jesus, não haverá aflição que resista ao bendito remédio da fé.


***



Todos desejamos ser feliz. Sejamos ricos ou pobres, instruídos ou não, todos desejamos evitar os sofrimentos.

Assim, procuremos vencer as tribulações de cada dia e encontrar razões para felicidade em coisas pequenas.

Ser grato pelo que temos, pelo que usufruímos.

Aprender com os pássaros a saudar o dia com um cântico de esperança.

Eis uma boa fórmula para superar as aflições e começar a ser feliz, desde hoje.


Tua Fé


“E ele lhe disse: Tem bom ânimo, filha, a tua fé te salvou; vai em paz.” — (LUCAS, CAPÍTULO 8, VERSÍCULO 48.)

É importante observar que o Divino Mestre, após o benefício dispensado, sempre se reporta ao prodígio da fé, patrimônio sublime daqueles que O procuram.
Diversas vezes, ouvimo-lo na expressiva afirmação: — “A tua fé te salvou.” Doentes do corpo e da alma, depois do alívio ou da cura, escutam a frase generosa. É que a vontade e a confiança do homem são poderosos fatores no desenvolvimento e iluminação da vida.
O navegante sem rumo e que em nada confia, somente poderá atingir algum porto em virtude do jogo das forças sobre as quais se equilibra, desconhecendo, porém, de maneira absoluta, o que lhe possa ocorrer.
O enfermo, descrente da ação de todos os remédios, é o primeiro a trabalhar contra a própria segurança. O homem que se mostra desalentado em todas as coisas, não deverá aguardar a cooperação útil de coisa alguma.
As almas vazias embalde reclamam o quinhão de felicidade que o mundo lhes deve. As negações, em que perambulam, transformam-nas, perante a vida, em zonas de amortecimento, quais isoladores em eletricidade. Passa corrente vitalizante, mas permanecem insensíveis.
Nos empreendimentos e necessidades de teu caminho, não te isoles nas posições negativas.
Jesus pode tudo, teus amigos verdadeiros farão o possível por ti; contudo, nem o Mestre e nem os companheiros realizarão em sentido integral a felicidade que ambicionas, sem o concurso de tua fé, porque também tu és filho do mesmo Deus, com as mesmas possibilidades de elevação. (Emmanuel, Pão Nosso, 113, FCXavier, FEB)

O.E.S.E Istruções dos Espíritos - A Caridade Material e a Caridade Moral


9. "Amemo-nos uns aos outros e façamos aos outros o que quereríamos nos fizessem eles." Toda a religião, toda a moral se acham encerradas nestes dois preceitos. Se fossem observados nesse mundo, todos seríeis felizes: não mais aí ódios, nem ressentimentos. Direi ainda: não mais pobreza, porquanto, do supérfluo da mesa de cada rico, muitos pobres se alimentariam e não mais veríeis, nos quarteirões sombrios onde habitei durante a minha última encarnação, pobres mulheres arrastando consigo miseráveis crianças a quem tudo faltava.


Ricos! pensai nisto um pouco. Auxiliai os infelizes o melhor que puderdes. Dai, para que Deus, um dia, vos retribua o bem que houverdes feito, para que tenhais, ao sairdes do vosso invólucro terreno, um cortejo de Espíritos agradecidos, a receber-vos no limiar de um mundo mais ditoso.
Se pudésseis saber da alegria que experimentei ao encontrar no Além aqueles a quem, na minha última existência, me fora dado servir!...


Amai, portanto, o vosso próximo; amai-o como a vós mesmos, pois já sabeis, agora, que, repelindo um desgraçado, estareis, quiçá, afastando de vós um irmão, um pai, um amigo vosso de outrora. Se assim for, de que desespero não vos sentireis presa, ao reconhecê-lo no mundo dos Espíritos!


Desejo compreendais bem o que seja a caridade moral, que todos podem praticar, que nada custa, materialmente falando, porém, que é a mais difícil de exercer-se.


A caridade moral consiste em se suportarem umas às outras as criaturas e é o que menos fazeis nesse mundo inferior, onde vos achais, por agora, encarnados. Grande mérito há, crede-me, em um homem saber calar-se, deixando fale outro mais tolo do que ele. É um gênero de caridade isso. Saber ser surdo quando uma palavra zombeteira se escapa de uma boca habituada a escarnecer; não ver o sorriso de desdém com que vos recebem pessoas que, muitas vezes erradamente, se supõem acima de vós, quando na vida espírita, a única real, estão, não raro, muito abaixo, constitui merecimento, não do ponto de vista da humildade, mas do da caridade, porquanto não dar atenção ao mau proceder de ou trem é caridade moral.


Essa caridade, no entanto, não deve obstar à outra. Tende, porém, cuidado, principalmente em não tratar com desprezo o vosso semelhante. Lembrai-vos de tudo o que já vos tenho dito: Tende presente sempre que, repelindo um pobre, talvez repilais um Espírito que vos foi caro e que, no momento, se encontra em posição inferior à vossa. Encontrei aqui um dos pobres da Terra, a quem, por felicidade, eu pudera auxiliar algumas vezes, e ao qual, a meu turno, tenho agora de implorar auxilio.


Lembrai-vos de que Jesus disse que todos somos irmãos e pensai sempre nisso, antes de repelirdes o leproso ou o mendigo. Adeus: pensai nos que sofrem e orai. Irmã Rosália. (Paris, 1860.)


10. Meus amigos, a muitos dentre vós tenho ouvido dizer: Como hei de fazer caridade, se amiúde nem mesmo do necessário disponho?


Amigos, de mil maneiras se faz a caridade. Podeis fazê-la por pensamentos, por palavras e por ações. Por pensamentos, orando pelos pobres abandonados, que morreram sem se acharem sequer em condições de ver a luz. Uma prece feita de coração os alivia. Por palavras, dando aos vossos companheiros de todos os dias alguns bons conselhos, dizendo aos que o desespero, as privações azedaram o ânimo e levaram a blasfemar do nome do Altíssimo: "Eu era como sois; sofria, sentia-me desgraçado, mas acreditei no Espiritismo e, vede, agora, sou feliz." Aos velhos que vos disserem: "É inútil; estou no fim da minha jornada; morrerei como vivi", dizei: "Deus usa de justiça igual para com todos nós; lembrai-vos dos obreiros da última hora." As crianças já viciadas pelas companhias de que se cercaram e que vão pelo mundo, prestes a sucumbir às más tentações, dizei: "Deus vos vê, meus caros pequenos", e não vos canseis de lhes repetir essas brandas palavras. Elas acabarão por lhes germinar nas inteligências infantis e, em vez de vagabundos, fareis deles homens. Também isso é caridade.


Dizem, outros dentre vós: "Ora! somos tão numerosos na Terra, que Deus não nos pode ver a todos." Escutai bem isto, meus amigos: Quando estais no cume da montanha, não abrangeis com o olhar os bilhões de grãos de areia que a cobrem? Pois bem: do mesmo modo vos vê Deus. Ele vos deixa usar do vosso livre-arbítrio, como vós deixais que esses grãos de areia se movam ao sabor do vento que os dispersa. Apenas, Deus, em sua misericórdia infinita, vos pôs no fundo do coração uma sentinela vigilante, que se chama consciência. Escutai-a, que somente bons conselhos ela vos dará. As vezes, conseguis entorpecê-la, opondo-lhe o espírito do mal. Ela, então, se cala. Mas, ficai certos de que a pobre escorraçada se fará ouvir, logo que lhe deixardes aperceber-se da sombra do remorso. Ouvi-a, interrogai-a e com freqüência vos achareis consolados com o conselho que dela houverdes recebido.


Meus amigos, a cada regimento novo o general entrega um estandarte. Eu vos dou por divisa esta máxima do Cristo: "Amai-vos uns aos outros." Observai esse preceito, reuni-vos todos em torno dessa bandeira e tereis ventura e consolação. - Um Espírito protetor. (Lião, 1860.)

Bem Aventurados


Bem-aventurados os aflitos
Que, chorando – não se desanimam,
Que, ofendidos – não revidam,
Que, esquecidos pelos outros – não olvidam os deveres que lhes são próprios,
Que, dilacerados – não ferem,
Que, caluniados – não caluniam,
Que, desamparados – não desamparam,
Que, acoitados – não praguejam,
Que, injustiçados – não se justificam,
Que, traídos – não atraiçoam,
Que, perseguidos – não perseguem,
Que, desprezados – não desprezam,
Que, ridicularizados – não ironizam,
Que, sofrendo – não fazem sofrer...Até agora, raros aflitos da Terra conseguiram merecer as bem-aventuranças do Céu, porque, realmente, com amor puro somente o Grande Aflito da Cruz se entregou ao sacrifício total pelos próprios verdugos, rogando perdão para a ignorância deles e voltando das trevas do túmulo para socorrer e salvar, com sua ressurreição e com o seu devotamento, a Humanidade inteira.

As Muitas Faces da Obsessão

Dentre as muitas psicopatologias graves de origem obsessiva, a que afeta a infância apresenta-se mais constrangedora, principalmente quando os desencarnados adversários acompanham a criança e se apresentam espiritualmente no instante do parcial desprendimento pelo sono, fazendo-a recordar dos deslizes morais de ontem, situação em que recuam para o corpo sob pesadelos atrozes, aos gritos e temores e irão instalando as fixações enfermiças pelo quais as futuras perseguições se tornam subjugações.

A criança obsidiada apresenta comportamento diferente, incontrolável, alternando dos estados agressivos aos de quietude depressiva e muitas vezes tentando a autodestruição. Nesses casos o mecanismo terapêutico é muito complexo em face de uma enorme ausência de cooperação consciente do enfermo infantil. O passe magnético é recomendável por envolver o doente em vibração de bem-estar, de harmonia e neutralizam as descargas magnéticas negativas de os alcançar.


Outras perseguições espirituais complicadas envolvem Espíritos vingadores, conscientes de sua condição de desencarnados, que sabem bem o que fazem e se comprazem nisso. O afastamento dessas criaturas não é nada fácil. Dominados pelo ódio, mostram-se intransigentes, irredutíveis, cristalizados de sentimentos e são refratários a todo tipo de tentativa de esclarecimento.
Muitos obsessores são hábeis e inteligentes, perfeitos estrategistas que planejam cada passo e acompanham as “vítimas” por algum tempo, observando suas tendências, seus relacionamentos, seus ideais. Identificam seus pontos vulneráveis (normalmente na área ligada ao comportamento sexual) e as exploram impiedosos.


Os problemas de saúde física também são campos férteis para semeaduras obsessivas. Como uma máquina nosso corpo se encontra sujeito a desgastes naturais, até porque muitos obsidiados não o usam de forma correta. Nesse sentido os perseguidores do Além exploram sempre à patologia de difícil diagnóstico.


O estado obsessivo procede da intimidade do homem exteriorizando-se em forma de tormentos físicos, mentais e emocionais. Seus ingredientes de causa remontam de vidas passadas de escorregões e quedas morais. Paixões, ódios, fanatismo, avareza e muitos outros fatores são as fontes geradoras da obsessão, que atualmente se constitui num dos mais terríveis flagelos da humanidade.


Visitado pelos obsidiados o Cristo penetrava psiquicamente nas causas da sua inquietude, e, usando de autoridade moral, libertava tanto os obsessores quanto os obsidiados, permitindo-lhes o despertar para a Vida, animados para a recuperação e à pacificação da própria consciência.
Mas o Cristo não libertou os obsidiados sem lhes impor a intransferível necessidade de renovação íntima, nem expulsou, os perseguidores inconsciente, sem fornecer-lhes o endereço de Deus. em qualquer processo de ordem obsessiva a parte mais importante do tratamento está reservado ao paciente. Sua fixação em permanecer no desequilíbrio constitui entraves de difícil remoção na terapia do refazimento. A terapia espírita é a do convite ao enfermo para a responsabilidade, convocando-o a uma auto-análise honesta, de modo a que ele possa destroçar em definitivo suas prevaricações.


Diante das teias das perseguições espirituais, a proposta terapêutica do Evangelho é a única portadora dos elementos da legítima libertação; portanto, o Cristo é o grande libertador a Quem todos devemos recorrer, auxiliando os doentes da alma que transitam, destrambelhados, fora da massa corporal.


Em Sua permanente energia amorosa, cônscio de Sua missão, Jesus ensinou que o mais poderoso antídoto contra a obsessão é o amor, pela experiência da caridade, da abnegação e do acrisolamento dos ideais.


Enquanto as luzes dos archotes culturais parecem esmaecidas pelos desvarios sexuais; pelas substâncias psicoativas; pela sede da posse material a Doutrina Espírita chega ao mundo apontando novos métodos de paz para os que sofrem os ressaibos amargosos da obsessão.
Esforcemo-nos pela vigília constante para que nos libertemos da vergasta das obsessões, no firme propósito de modificação de hábitos e atitudes negativos, ingressando no seio dos valores enobrecedores da vida pela efetiva renovação íntima.

Criações Fluídicas e Ideoplastia

O fluído espiritual, um dos estados assumidos pelo fluído cósmico universal, fornece aos Espíritos o elemento de onde eles extraem os materiais sobre que operam. Essa atuação se faz usando o pensamento a vontade.

"(...)Para os Espíritos, o pensamento e a vontade são o que é a mão para o homem. Pelo pensamento, eles imprimem àqueles fluidos tal ou qual direção, os aglomeram, combinam ou dispersam, organizam com eles conjuntos que apresentam uma aparência, uma forma, uma coloração determinadas; mudam-lhes as propriedades, como um químico muda a dos gases ou de outros corpos, combinando-os segundo certas leis. É a grande oficina ou laboratório da vida espiritual(...)."


É comum a realização dessas modificações sem que haja um pensamento consciente. É o caso dos espíritos que são percebidos pelos videntes, logo depois de desencarnados, envergando uma vestimenta qualquer, antes mesmo de se haverem dado conta de sua nova realidade.
A maior parte das transformações, contudo, ocorre sob o império de um desejo, a manifestação de um propósito consciente. Basta mentalizar alguma coisa e esta se forma. É por isso que um espírito pode assumir diferentes aspectos e apresentar diversas aparências, envergar trajes especiais, portar objetos os mais variados, exibir defeitos físicos , mutilações, etc. São expressões assumidas visando a uma identificação, geralmente revivendo situações de existências passadas. Porém, assim como assumiu aspecto do passado, tão logo seu pensamento o situe no presente, ou em outra existência, imediatamente se opera nova transformação.



Há, por outro lado, o caso dos Espíritos que conservam a mutilação, as deformações ou chagas do corpo físico que ocupavam, em razão de um condicionamento. Incapazes, por si mesmos, de reassumir a forma normal e sadia, são induzidos à mudança mediante um processo de esclarecimento e, pelo mesmo princípio de manejo dos fluídos espirituais, logram obtê-la.
As sugestões hipnóticas provocam, também, freqüentes transformações no perispírito, no sentido de seu aviltamento. Isso pode ser observado sob dois aspectos: o primeiro, através da auto-sugestão, motivada por sentimento de culpa ou rebaixamento voluntário; o segundo, pela ação da mente de outro Espírito sobre determinada entidade espiritual, explorando-lhe os deslizes que o tornaram particularmente vulnerável.



Encontramos aí a explicação para os fenômenos conhecidos como zoantropia, onde os Espíritos assumem formas animalescas, total, ou parcialmente. A expressão zoantropia, por seu sentido amplo, vem sendo sugerida, ultimamente, em lugar de licantropia que, etimologicamente, significa estudo sobre o homem-lobo.


É de referir-se, ainda, os casos dos Espíritos que, quase sempre com o propósito de amedrontar para melhor alcançar seus objetivos, apresentam-se com aspectos monstruosos e apavorantes, até mesmo de satanás.
A todas essas transformações operadas pela mente dá-se o nome de ideoplastia ( do grego ideo = idéia +plastos = forma + ia = estudos, análise) ou seja estudo da modelagem através do pensamento.
Segundo ensina André Luiz, ao abordar a ideoplastia,



"(...) o pensamento pode materializar-se, criando formas que muitas vezes revestem de longa duração, conforme a persistência da onda em que se expressam.(...)"


As materializações constituem outro exemplo de plasmagem realizada pelos Espíritos, nas sessões de efeitos físicos, com a utilização de elementos plásticos exteriorizados pelos médiuns e pelos outros participantes dessas reuniões; componentes fluído-plásticos da Natureza.


"(...) Por análogo efeito, o pensamento do Espírito cria fluidicamente os objetos que ele esteja habituado a usar.(...)"



Isto não se restringe a objetos de uso pessoal, como é o caso do cachimbo, óculos, bengala, faca, chapéu, tec. Mas se estende a coisas como casas, prédios, jardins, móveis, veículos, alimentos, instrumento de toda ordem. Alguns têm existência tão fugidia quanto a duração do pensamento; mas outros persistem longamente, como já citado.
No plano dos Espíritos, suas criações fluídicas são tão reais que assumem, para eles, o mesmo aspecto que as coisas materiais para os encarnados.



Outra questão a considerar é que o pensamento, ao criar imagens fluidicas, se reflete no perispírito do Espírito a que pertence, como num espelho, aí adquirindo corpo e, de alguma maneira, se fotografa.Para melhor entendimento de como isso se passa, explica-nos Kardec.


"(...) Tenha um homem, por exemplo, a idéia de matar a outro: embora o corpo material se lhe conserve impassivel, seu corpo fluídico é posto em ação pelo pensamento e reproduz todos os matizes deste último; executa fluidicamente o gesto, o ato que intentou praticar. O pensamento cria a imagem da vitima e a cena inteira é pintada, como num quadro, tal qual se lhe desenrola no espírito(...)."


Isto permite entender por que todo e qualquer pensamento se torna conhecido: por evidenciar-se, no corpo perispirítico, e poder ser percebido por outro Espírito, mas não pelos olhos da matéria. O que realmente é visto pelo observador é a intenção. Sua execução, todavia, vai depender da persistência de propósitos de circunstâncias que a favoreçam. Modificadas estas, poderão os planos também sofrer mudanças, com a conseqüente alteração das imagens refletidas no envoltório fluídico.

Ecologia e espiritismo


É urgente que o movimento espírita absorva e contextualize, à luz da doutrina, os sucessivos relatórios científicos que denunciam a destruição sem precedentes dos recursos naturais não renováveis, no maior desastre ecológico de origem antrópica da história do planeta.
Os atuais meios de produção e de consumo precipitaram a humanidade na direção de um impasse civilizatório, onde a maximização dos lucros tem justificado o uso insustentável dos mananciais de água doce, a desertificação do solo, o aquecimento global, a monumental produção de lixo, entre outros efeitos colaterais de um modelo de desenvolvimento “ecologicamente predatório, socialmente perverso e politicamente injusto”.


Na pergunta 705 do Livro dos Espíritos, no capítulo que versa sobre a Lei de Conservação, Allan Kardec pergunta: “Porque nem sempre a terra produz bastante para fornecer ao homem o necessário?”, ao que a espiritualidade responde: “É que, ingrato, o homem a despreza! Ela, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, ele acusa a Natureza do que só é resultado da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se com o necessário soubesse o homem contentar-se” (...).


É evidente que em uma sociedade de consumo, nenhum de nós se contenta apenas com o necessário. A publicidade se encarrega de despertar apetites vorazes de consumo do não necessário, daquilo que é supérfluo, descartável, inessencial – renovando a cada nova campanha a promessa de felicidade que advém da posse de mais um objeto, seja um novo modelo de celular, um carro ou uma roupa. Para nós espíritas, é fundamental que o alerta contra o consumismo seja entendido como uma dupla proteção: ao meio ambiente – que não suporta as crescentes demandas de matéria-prima e energia da sociedade de consumo, onde a natureza é vista como um grande e inesgotável supermercado – e ao nosso espírito imortal, já que, segundo a doutrina espírita, uma das características predominantes dos mundos inferiores da Criação é justamente a atração pela matéria. Nesse sentido, não há distinção entre consumismo e materialismo, e nossa invigilância poderá custar caro ao projeto evolutivo que desejamos encetar. Essa questão é tão crucial para o Espiritismo, que na pergunta 799 do Livro dos Espíritos, quando Kardec pergunta “de que maneira pode o Espiritismo contribuir para o progresso?”, a resposta é taxativa: “Destruindo o materialismo, que é uma das chagas da sociedade.(...)”
Uma das mais prestigiadas organizações não governamentais do mundo, o Worldwatch Institute, com sede em Washington, divulga anualmente o relatório “Estado do Mundo”, uma grande compilação de dados e estudos científicos que revelam os estragos causados pelo atual modelo de desenvolvimento. Na última versão do relatório, referente ao ano de 2004, afirma-se que “o consumismo desenfreado é a maior ameaça à humanidade”.


Os pesquisadores do Worldwatch denunciam que “altos níveis de obesidade e dívidas pessoais, menos tempo livre e meio ambiente danificado são sinais de que o consumo excessivo está diminuindo a qualidade de vida de muitas pessoas”.



Aos espíritas que mantêm uma atitude comodista diante do cenário descrito nessas breves linhas, escorados talvez na premissa determinista de que tudo se resolverá quando se completar a transição da Terra (de mundo de expiações e de provas para mundo de regeneração) é bom lembrar do que disse Santo Agostinho no capítulo III do Evangelho Segundo o Espiritismo. Ao descrever o mundo de regeneração, Santo Agostinho diz que mesmo livre das paixões desordenadas, num clima de calma e repouso, a humanidade ainda estará sujeita “às vicissitudes de que não estão isentos senão os seres completamente desmaterializados; há ainda provas a suportar (...) e que “nesses mundos, o homem ainda é falível, e o Espírito do mal não perdeu, ali, completamente o seu império. Não avançar é recuar, e se não está firme no caminho do bem, pode voltar a cair nos mundos de expiação, onde o esperam novas e terríveis provas”. Ou seja, não há mágica no processo evolutivo: nós já somos os construtores do mundo de regeneração, e, se não corrigirmos o rumo na direção do desenvolvimento sustentável, prorrogaremos situações de desconforto já amplamente diagnosticadas.


Não é possível, portanto, esperar a chegada do mundo de regeneração de braços cruzados. Até porque, sem os devidos méritos evolutivos, boa parte de nós deverá retornar à esse mundo pelas portas da reencarnação. Se ainda quisermos encontrar aqui estoques razoáveis de água doce, ar puro, terra fértil, menos lixo e um clima estável – sem os flagelos previstos pela queima crescente de petróleo, gás e carvão que agravam o efeito estufa – deveremos agir agora, sem perda de tempo.


Depois que a ONU decretou que 2003 seria o ano internacional da água doce, os católicos não hesitaram em, pela primeira vez em 40 anos de Campanha da Fraternidade, eleger um tema ecológico: “Água: fonte de vida”. Mais de 10 mil paróquias em todo o Brasil foram estimuladas a refletir sobre o desperdício, a poluição e o aspecto sagrado desse recurso fundamental à vida.
E nós espíritas? O que fizemos, ou o que pretendemos fazer? O grande Mahatma Gandhi – que afirmou certa vez que toda bela mensagem do cristianismo poderia ser resumida no sermão da montanha – nos serve de exemplo, quando diz: “sejamos nós a mudança que nós queremos ver no mundo

Cap XVIII - Os tempos estão chegados - Sinais dos Tempos


1. Os tempos marcados por Deus são chegados, dizem-nos de todos os lados, em que grandes acontecimentos vão se realizar para a regeneração da humanidade. Em que sentido se devem entender essas palavras proféticas? Para os incrédulos, elas não têm nenhuma importância; a seus olhos, tal não passa da expressão de uma crença pueril e sem fundamento; para o maior número dos crentes, elas têm qualquer coisa de místico e de sobrenatural, que lhes parece ser o precursor do transtorno das leis da natureza. Essas duas interpretações são igualmente errôneas: a primeira, em que ela implica a negação da Providência; a segunda, em que essas palavras não anunciam a perturbação das leis da natureza, mas sim o seu cumprimento.

2. Tudo é harmonia na criação; tudo revela uma previdência que não se desmente nem nas menores coisas, nem nas maiores; devemos pois, desde o início, afastar toda idéia de capricho, inconciliável com a sabedoria divina; em segundo lugar, se nossa época é marcada para a realização de certas coisas, é que elas têm sua razão de ser na marcha do conjunto.


Isto posto, diremos que nosso globo, como tudo quanto existe, está sujeito à lei do progresso. Progride fisicamente pela transformação dos elementos que o compõem, e moralmente pela purificação dos Espíritos encarnados e desencarnados que o povoam. Estes dois progressos se seguem e caminham paralelamente, pois a perfeição da morada está relacionada com a do habitante. Fisicamente, o globo passou por transformações, constatadas pela ciência, e que sucessivamente o tornaram habitável por seres mais e mais aperfeiçoados; moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Ao mesmo tempo que a melhoria do globo se opera sob o império das forças materiais, os homens concorrem para ela, pelos esforços de sua inteligência; saneiam as regiões insalubres, tornam as comunicações mais fáceis e a terra mais produtiva.


Este duplo progresso de realiza de duas maneiras: uma, lenta, gradual e insensível; a outra, por modificações mais bruscas; cada uma delas resulta num movimento ascensional mais rápido, o qual marca, com sinais nítidos, os períodos progressivos da humanidade. Esses movimentos, subordinados nos pormenores ao livre-arbítrio dos homens, são de alguma forma fatais em seu conjunto, pois são submetidos a leis, como as que se operam na germinação, no crescimento e maturação das plantas; é por isso que o movimento progressivo é algumas vezes parcial, isto é, limitado a uma raça ou uma nação; outras vezes será geral.


O progresso da humanidade se efetua pois, em virtude de uma lei; ora, como todas as leis da natureza são a obra eterna da sabedoria e da presciência divinas, tudo o que é efeito dessas leis é o resultado da vontade de Deus, não de uma vontade acidental e caprichosa, mas de uma vontade imutável. Portanto, quando a humanidade está madura para franquear um grau, pode-se dizer que os tempos marcados por Deus chegaram, como se pode também dizer que em tal estação, são chegados os tempos para a maturidade dos frutos e a colheita.


3. Da afirmação de que o movimento progressivo da humanidade é inevitável, porque está na natureza, não se segue que Deus seja indiferente ao mesmo, e que após haver estabelecido suas leis, haja retornado à inação, deixando que as coisas se movam por si. Suas leis são eternas e imutáveis, sem dúvida, mas porque sua própria vontade é eterna e constante, e seu pensamento anima todas as coisas sem interrupção; seu pensamento, que penetra tudo, é a força inteligente e permanente que mantém tudo em harmonia; se este pensamento cessar de agir um só instante, o Universo seria como um relógio sem o pêndulo regulador. Deus vela pois, incessantemente, pela execução de suas leis, e os Espíritos que povoam o espaço são seus ministros encarregados dos detalhes, segundo as atribuições relativas ao seu grau de adiantamento.


4. O Universo é ao mesmo tempo um mecanismo incomensurável, conduzido por um número não menos incomensurável de inteligências, um imenso governo onde cada ser inteligente tem sua parte de ação sob o olhar do soberano Mestre, cuja vontade única mantém a unidade por toda a parte. Sob o império dessa vasta potência reguladora, tudo se move, tudo funciona numa ordem perfeita; aquilo que nos parecem perturbações, são os movimentos parciais e isolados, que só nos parecem irregulares, porque nossa vista é circunscrita. Se pudéssemos abarcar o conjunto, veríamos que tais irregularidades não são senão aparentes, e que elas se harmonizam no todo.


5. A humanidade realizou até hoje incontestáveis progressos; os homens, por sua inteligência, chegaram a resultados que jamais atingiram, sob o ponto de vista das ciências, das artes e do bem-estar material; resta-lhes ainda um imenso progresso a realizar; é o de fazer reinar entre eles a caridade, a fraternidade e a solidariedade para assegurar o bem-estar moral. Tal não lhes era possível, nem com suas crenças, nem com suas instituições envelhecidas e superadas, restos de uma outra era, boas numa certa época, suficientes para um estado transitório, mas que, tendo dado o que comportavam, seriam hoje um ponto de parada. Já não é mais somente o desenvolvimento da inteligência o que os homens necessitam; é a elevação do sentimento, e por isso é preciso destruir tudo quanto possa excitar neles o egoísmo e o orgulho.

Tal é o período no qual vamos entrar a partir de agora, o qual marcará uma das fases principais da humanidade. Esta fase, que se elabora neste momento, é o complemento necessário da etapa precedente, como a idade viril é o complemento da juventude; ela poderia pois ser prevista e predita com antecipação, e é por isso que se diz que são chegados os tempos marcados por Deus.


6. Nesse tempo, não se trata de uma mudança parcial, de uma renovação limitada a uma região, a um povo, a uma raça; é um movimento universal que se opera no sentido do progresso moral. Uma nova ordem de coisas tende a se estabelecer, e os homens que maior oposição lhe fazem, trabalham nela contra sua vontade; a geração futura, desembaraçada das escórias do velho mundo e formada por elementos mais purificados, encontrar-se-á animada por idéias e sentimentos completamente diversos dos que são adotados pela geração presente, que se retira a passos de gigante. O velho mundo estará morto, e viverá na História, como hoje acontece aos tempos da Idade Média, com seus costumes bárbaros e suas crenças supersticiosas.
Quanto ao mais, cada um sabe o quanto a ordem de coisas atual ainda deixa a desejar; depois de ter de alguma sorte esgotado o bem-estar material, que é o produto da inteligência, chega-se a compreender que o complemento de tal bem-estar só se encontra no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais se sente aquilo que falta, sem que todavia seja possível ainda defini-lo claramente: é o efeito do trabalho íntimo que se opera visando a regeneração; as pessoas têm desejos, aspirações, que são como o pressentimento de um estado melhor.


7. Porém uma mudança tão radical como a que se elabora, não pode realizar-se sem comoção; há a luta inevitável entre as idéias. De tal conflito nascerão forçosamente perturbações temporárias, até que o terreno haja sido desobstruído e o equilíbrio restabelecido. É pois da luta das idéias que surgirão os graves acontecimentos anunciados e não de cataclismos ou catástrofes puramente materiais. Os cataclismos gerais eram a conseqüência do estado de formação da terra; hoje não são as entranhas do globo que se agitam, são as da humanidade.


Livro : A Gênese

Buscando a alegria com Jesus


Essa tristeza que te domina, amargurando as tuas horas, é grave enfermidade que deves combater a partir de agora.

Nenhuma complacência para com ela, nem justificativa enganosa para aceitá-la. Os argumentos de infelicidade quanto de insatisfação não passam de sofismas e mecanismos de evasão da realidade.

Problemas todos os têm, com um imenso universo de apresentação. A falta deles geraria, por enquanto, desmotivação para a luta, para o progresso.

Essa nostalgia deprimente que te aliena e consome é adversária cruel, a que te entregas livremente sem reação, ampliando-lhe o campo de domínio, à medida que lhe cedes espaço.
Seja qual for a razão, fundamentada em acontecimentos atuais, deves transformar em bênção que te convida à reflexão e não ao desalento.

A tristeza é morbo prejudicial ao organismo, peste que consome a vida.

Tudo, em tua volta, é um hino de louvor, de alegria, de gratidão a Deus. Observa-o bem.
Somente o homem, porque pensa, se permite empolgar pela tristeza, descambando para os surdos conflitos da rebeldia.

Essa tristeza pode resultar de dois fatores, entre outros: reminiscências do teu passado espiritual e perturbação com repercussão obsessiva.

No primeiro caso, as impressões pessimistas devem ser eliminadas, alijando-as do inconsciente, sob pressão de ideias novas, agradáveis, positivas, que te cumpre cultivar, insistindo em fixá-las nos paineis mentais.

Se te acostumas a pensar bem, superarás as lembranças más. Os hábitos se enraízam, porque se repetem, dominando os automatismos da mente e do corpo.

Na segunda hipótese, a hospedagem mental e emocional de Entidades desencarnadas, malévolas, ocorre porque encontram sintonia nas tuas faixas psíquicas, estabelecendo contato hipnótico que se agrava com o tempo.

Em ambos os casos te encontras incurso em débitos para com as soberanas Leis da Vida.
Não te reencarnaste, porém, apenas para pagar, antes, sim, para ressarcir com amor, liberando-te dos compromissos negativos mediante as ações relevantes.

És candidato às cumeadas da montanha, e não um condenado às galés nas sombras do remorso inútil ou no charco das lágrimas perdidas.

Se permaneces na situação infeliz, tornas-te vítima de ti mesmo. Todavia, se te resolves por sair do caos, transformas-te em teu próprio psicoterapeuta.

Jesus, apenas uma vez, deixou-se vestir de tristeza, de amargura. No Getsêmani, quando só Ele velava e os amigos, ali próximos, dormiam, embora aquela fosse a hora decisiva, o pré-final. E o permitiu por piedade para com os companheiros invigilantes, que se não davam conta da gravidade do momento.

Sempre Ele cultivou a alegria da esperança, a bênção da saúde, a dádiva da paz.
O Seu, foi o ministério do júbilo, da transformação do homem e do mundo velhos em uma criatura e sociedade inteiramente novas.

Renascimento é vitória sobre a morte. E alegria que procede da libertação.
Rasga, portanto, essa mortalha de sombras sob a qual ocultas todas as tuas possibilidades de triunfo, e sai a semear fraternidade na grande vinha que te aguarda.

Realiza um novo, um atual encontro contigo mesmo e examina-te melhor, sem deplorares a situação em que te encontras, e vai na direção do êxito. Isto é fundamental, não como um pagamento, porém como um dever que te falta cumprir, a fim de te recuperares. Deus te concede esse direito e tens que corresponder-Lhe, usando-o em teu benefício.

Provavelmente sofres pressões, que são uma falta de humanidade, mas tua é a submissão a essa força constritora que aceitas.

Se, em verdade, queres sair da tristeza, podes. Em caso contrário, és responsável por ela, assim te comprazendo, o que é séria enfermidade.

“Alegrai-vos”, propôs Jesus, “é chegado até vós o reino de Deus.” Este reino está dentro de nós, esperando ser descoberto e habitado. Aguarda-te, desafiador. Chegou até onde estás. Dá o teu passo em sua direção, penetra-o, deixa-te por ele preencher e alegra-te para sempre, como herói que concluirá a luta.

Por: Joanna de Ângelis
Livro: Jesus e Atualidade
Psicografia: Divaldo Franco